sábado, 31 de julho de 2010

SELOS VERDES AS NOVAS REGRAS DO JOGO

Uma análise dos selos verdes mais bem-sucedidos em todo o mundo revela que eles vieram para ficar. E em muitos mercados, estão efetivamente se transformando em regra para fazer negócios, variável de competitividade para produtos e critério relevante para consumo responsável.

A expansão dos selos se deve a três fontes de pressão. A primeira emana dos próprios mercados e dos protocolos estabelecidos entre seus atores para definir as regras do jogo. Até há algum tempo, as regras eram, basicamente, de natureza comercial cobrindo as questões de custo, qualidade e entrega. Mas desde a década de 1990, com a consolidação de uma economia globalizada e, a partir deste novo século, com a intensificação do debate sobre impactos da produção ao meio ambiente e o crescente senso de urgência associado ás mudanças climáticas, os critérios socioambientais vem ganhando força como elemento novo, de natureza ética, na mesa de negociação.

Esse cenário decorre do sentimento crescente entre os agentes de mercado de que a escassez potencial de recursos, consequência dos limites do planeta – que, no período pós-Revolução Industrial e até os anos 1990 nunca foram devidamente reconhecidos e/ou valorizados– afetará os mercados a ponto de redesenhá-los em futuro já não mais tão longínquo. Os selos verdes refletem essa preocupação. E os seus critérios têm avançado conforme o ritmo de evolução da percepção pública a respeito dos impactos do atual modelo de produção e consumo ao planeta.

Quando os primeiros selos foram lançados, na década de 1940, eles se preocupavam em informar o consumidor sobre os efeitos do produto para a saúde e segurança. Evoluíram, a partir dos anos 1970, com a pressão dos movimentos ambientalistas, para discriminar os produtos com menor impacto geral para o meio ambiente. E a tendência hoje é enfatizar questões específicas, que interessam cada vez mais ao consumidor contemporâneo, como as pegadas de carbono e de água, os alimentos orgânicos, a presença ou não de transgênicos e o comércio justo.

Em movimento acelerado a partir dos anos 1990, a maioria das sociedades passou a querer de empresas mais do que fabricar produtos, pagar salários e gerar impostos. Houve uma importante mudança de atitude em relação ao seu papel. A empresa deixou de ser percebida como uma entidade meramente econômica para assumir também, como define Denis Donaire, autor de Gestão Ambiental na Empresa, uma “dimensão sociopolítica”. Segundo o autor, essa nova dimensão seria influenciada pelas seguintes sete novas variáveis: (1) aumento da influência de grupos sociais externos; (2) elevação do padrão ético exigido para a atuação empresarial; (3) mudança importante nos valores e ideologias sociais; (4) fortalecimento dos sindicatos e associações de classe; (5) intervenção crescente do Estado na economia; (6) aumento na velocidade de transmissão de informações e da importância das comunicações; e (7) atuação em um ambiente globalizado.

Atuando em um cenário extremamente mais complexo, com mais focos possíveis de tensão, as empresas reagiram ás demandas socioambientais primeiro com indiferença, tratando a nova lógica como algo dissociado do negócio (externalidades) e, portanto, responsabilidade de terceiros (governos); depois com um comportamento defensivo, baseado na ideia de assumir os “custos” da redução de impactos ambientais menos por convicção e mais para minimizar os riscos perceptíveis (de imagem e reputação e de ambiente para operar e fazer negócios); e mais recentemente, caso específico das companhias líderes, com uma atitude pró-ativa, escorada no propósito de tratar a questão socioambiental como um campo de oportunidades de inovação, de antecipar-se ás tendências e de obter vantagens de negócio comparativas.

Não por outra razão, um dos argumentos de defesa dos selos verdes tem sido, por parte dos agentes de mercado, o de que eles representam um diferencial competitivo para o produto e, portanto, um elemento de venda. E isso só ocorre hoje mais do que em outros tempos graças a uma segunda fonte de pressão: a ascensão de um consumidor cada vez mais atento, crítico, engajado.

A terceira fonte de pressão são os governos mais atentos e fiscalizadores. No Brasil, os Ministérios do Meio Ambiente e da Indústria e Comércio têm trabalhado para emular a prática da rotulagem ambiental. Em todo o mundo, com especial ênfase entre os países europeus, observa-se um estímulo governamental á expansão das certificações e aos selos de 3ª Parte– com a inclusão de critérios diretamente ligados ás mudanças climáticas-- e um cuidado na regulação das comunicações das auto-declarações, objetivando principalmente coibir imprecisões, incorreções e exageros nos dados transmitidos em embalagens. A França constitui um bom exemplo recente. De um lado, a intenção é estimular a rotulagem como forma de estabelecer um ciclo virtuoso de apoio á construção de uma economia de baixo carbono. De outro, cuidar para que os consumidores não sejam enganados pelos fabricantes.

Ricardo Voltolini
Diretor de Ideia Sustentável
Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade
Twitter: @ricvoltolini

quarta-feira, 28 de julho de 2010

BIODIVERSIDADE 34 HOTSPOTS ESPALHADOS PELO MUNDO


O conceito Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo (profissional dedicado ao estudo da ecologia) inglês Norman Myers para resolver um dos maiores dilemas dos conservacionistas. Quais as áreas mais importantes para preservar a biodiversidade na Terra.

Actualmente existem 34 Hotspots ambientais espalhados pelo Mundo.

02   AMÉRICA CENTRAL      
02   AMÉRICA DO NORTE   
05   AMÉRICA DO SUL        
08   ÁFRICA                             
01   ÁFRICA E EUROPA       
06   ÁSIA                                    
01   ÁSIA E OCEANIA            
07   OCEANIA                           
01   EUROPA                           

HotSpot, dos Andes Tropicais é a região mais rica e diversificada sobre a Terra, a região tropical dos Andes contém cerca de um sexto de toda a vida vegetal, em menos de 1 por cento da área terrestre. Uma das espécies de plantas mais original é um bromelilad Andina que necessitam de 100 anos para amadurecer.

O ameaçado papagaio-amarelo, Lagothrix flavicauda e urso de óculos são espécies endémicas dos Andes Tropicais. Tem a maior variedade de anfíbios do mundo, com 664 espécies distintas. Infelizmente, quase 450 espécies de anfíbios, fazem parte da Lista Vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature) de 2004.

A região está a enfrentar uma variedade de ameaças, de extracção de minerais, abate de árvores, exploração de petróleo e as plantações de narcóticos. As florestas tropicais estão sob pressão crescente de espécies invasoras como o sapo-boi americano e gramíneas para pastagem do gado.

Hotspot Original Extent 
(km 2) 1.542.644

Hotspot Vegetation Remaining
(km 2) 385.661

Endemic Plant Species
15.000

Endemic Threatened Birds
110

Endemic Threatened Mammals
14

Endemic Threatened Amphibians
363

Extinct Species
2

Human Population Density
(people/km 2) 37

Area Protected
(km 2) 246.871

Area Protected
(km 2) in Categories I-IV* 121.650

Recorded extinctions since 1500.
*Categories I-IV afford higher levels of protection.

Em vésperas de 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, existe muito para decidir e preservar. É tempo de acelerar a defesa da biodiversidade, pois a extinção massiva das espécies do nosso planeta é uma realidade. Como diz Sir David Attenboroug, “temos pouco tempo para salvar muita da nossa biodiversidade”.

ambienteglobal-jsaldanha.blogspot.com/

terça-feira, 27 de julho de 2010

BIODIVERSIDADE HOTSPOTS PLANETÁRIO


Imagem cedida pela SOS Mata Atlântica
A Mata Atlântica é um dos hotspots ambientais da Terra

O termo hotspots, pontos quentes, é empregado em diversas áreas do conhecimento, por exemplo, em genética são locais nos genes nos quais mutações ocorrem com uma freqüência excepcionalmente alta, em geociências indicam locais do manto terrestre onde existe uma anomalia térmica relacionadas ao magma, que seria a polpa da Terra que vaza na crosta em forma de lava pelos vulcões, e também em informática, pontos de acesso a internet sem fio disponibilizados ao público ou WiFi. Há ainda os hotspots da biodiversidade ou ambientais, tema deste artigo.

Um dos maiores dilemas dos conservacionistas é saber quais são as áreas mais importantes para preservar a biodiversidade na Terra. Para tentar resolver esse problema o ecólogo inglês Norman Myers criou em 1988 o conceito dos hotspots, que estabeleceu 10 áreas críticas para a preservação em florestas tropicais. Entre essas áreas estão os Andes tropicais, Madagascar e a Mata Atlântica.

Em 1996, o primatólogo norte-americano, Russell Mittermeier, presidente da ONG (organização não governamental) Conservation International, liderou um estudo que aperfeiçoou a teoria inicial de Myers e identificou 17 hotspots. Três anos depois, com a contribuição de mais de 100 pesquisadores, foi ampliado para 25 o número de hotspots. Em fevereiro de 2004 a Conservation International ampliou para 34, as regiões consideradas hotspots.

Dois fatores são críticos na escolha de um hotspot: a existência de espécies endêmicas, ou seja, que são restritas a um ecossistema específico e grandes taxas de destruição do habitat.

Quando Myers estabeleceu 10 áreas críticas para a conservação, ele não utilizou critérios quantitativos com a relação à definição de um hotspot. Contudo, com o passar dos anos foram introduzidos patamares quantitativos na sua definição, assim hotspot passou a ser considerado uma região com a existência de pelo menos 1500 espécies endêmicas de plantas e com 75% ou mais da sua vegetação destruída. Dessa forma, é tido como toda área prioritária para conservação, isto é, com alta biodiversidade e com alto grau de ameaça.

Com isso o conceito de hotspot concentra-se em ecossistemas fragmentados e devastados, como é o caso da Mata Atlântica que hoje possui apenas entre 7% a 8% da sua extensão original, e estes estão distribuídos, na sua maior parte, em fragmentos de diferentes tamanhos.

A fragmentação do habitat, que assola praticamente todos os biomas, é um processo pelo qual o tipo de habitat é parcialmente removido e subdividido. Os processos de fragmentação e perda de habitat ocorrem, de forma geral, simultaneamente.

Para escolha desses pontos críticos levou-se em consideração que a biodiversidade não está igualmente distribuída ao redor do planeta. Para se ter uma idéia, somando a área de todos os hotspots são apenas 2,3% da superfície terrestre, e nessas áreas se concentram em torno 50% das plantas e 42% dos vertebrados conhecidos.

Além dos hotspots, a ONG Conservation International possui outras duas diretrizes para conservação:

Wilderness Areas, que identifica os grandes blocos de florestas tropicais, praticamente intactos (ou seja, que possuem mais de 75% de sua vegetação original) e com baixa densidade populacional (menos de 1 habitante por km2). Nessas regiões, como é o caso de grande parte da Amazônia, onde encontra-se algumas poucas populações indígenas.

Outro conceito leva em consideração as fronteiras políticas e a riqueza biológica encontrada dentro de cada nação. Os 17 países de megadiversidade são aqueles com os mais altos índices de riqueza natural do mundo.

Em todas as três abordagens, o Brasil tem posição de destaque. É o país campeão de megadiversidade, tendo maior número de espécies do que qualquer outra nação. Possui também o maior bloco de área verde do planeta, na floresta amazônica e em território brasileiro podem ser encontrados dois hotspots importantes: a Mata Atlântica e o Cerrado.

howstuffworks.c

DINHEIRO VELHO VAI VIRAR ADUBO NA AMAZÔNIA


Antes deixada em lixões, parte das cédulas de dinheiro que o Banco Central joga fora terão agora um novo destino: serão adubo na Amazônia.  A proposta partiu de um funcionário do banco em Belém (PA), que por acaso cursa também agronomia na UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia).

Depois de mais de três anos de testes e negociações, o banco, a universidade, o governo do Pará e o sindicato de servidores do banco assinaram na semana passada um convênio de R$ 100 mil para desenvolver o projeto.

Inicialmente, serão usadas 11 toneladas de notas que o banco tritura todo mês na região Norte. Elas equivalem a aproximadamente R$ 17 mil.  Com isso, as cédulas, que contêm metais pesados, deixarão de ir para aterros sanitários ou ser queimadas, como já foi feito.

O adubo terá, além de dinheiro, restos de grama seca (chamada de palhada) e de outros vegetais, que se tornam lixo no Ceasa de Belém.

"Isso é inédito no mundo. Acho que deve incentivar outros bancos centrais a fazer", afirmou Costa sobre a ideia, que será patenteada.  O adubo deve, dentro de um ano, começar a ser distribuído para pequenos produtores rurais de cidades próximas a Belém. Jornal Folha de São Paulo

PLANTAS QUE DÃO FLORES AJUDAM RESFRIAR A ATMOSFERA

Novo estudo publicado na última edição da revista “Proceedings of the Royal Society B” aponta que as plantas com flores (angiospermas) têm um efeito de resfriamento sobre a atmosfera, em especial na região amazônica.

Os cientistas geraram simulações em computador que mostram que, se as angiospermas flores fossem substituídas por outras plantas, a Amazônia teria uma zona de floresta tropical úmida 80% menor que a atual.

Segundo explica um dos autores, Kevin Boyce, da Universidade de Chicago, isso se deve ao fato de terem folhas com muito mais nervuras, capazes de fazer fotossíntese mais rapidamente, capturando mais gás carbônico e transpirando mais água para a atmosfera.

Assim, estes vegetais funcionam como verdadeiros dutos de água do solo para o céu, propiciando as fortes chuvas amazônicas. A evapotranspiração das plantas funciona como um sistema de refrigeração do planeta e uma mudança de sua distribuição no planeta influiria em diversos aspectos da atmosfera, como por exemplo as correntes de ar. Globo Amazônia

ÁRVORE PAU BRASIL EXTRAÇÃO DE ÓLEO


A extração de óleo da Preciosa, árvore que pertence à mesma família do Pau Rosa, na Amazônia, não exige que seu tronco seja cortado para exploração na indústria de cosméticos.

A conclusão é da pesquisa realizada durante dois pela engenheira florestal Adriana Manhães para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). De acordo com ela, a atual demanda pelo óleo pode ser contemplada apenas com o manejo adequado de folhas e de galhos da árvore.

"O resultado da pesquisa mostrou que o galho e a folha produzem da mesma forma. Não há necessidade de derrubar", diz ela.

Usado na produção de cosméticos em perfumarias, o óleo da Preciosa ainda é pouco explorado, segundo a pesquisadora. "O dia em que começar a aumentar a demanda, acho que é necessário fazer plantios", diz.

Globo Amazônia

PRIMEIRO MAPA DO MUNDO ÁRVORES DE ACORDO COM A SUA ALTURA

As áreas em verde mais escuro
mostram florestas mais altas, com até 70 metros

Com ajuda de dados de satélites da Nasa (agência espacial americana), cientistas produziram o primeiro mapa do mundo que mostra as árvores de acordo com a sua altura. Apesar de existirem mapas regionais desse tipo, este é o primeiro que faz uma mensuração de todas as florestas do globo a partir de um único método.

O trabalho foi feito a partir de informações dos satélites ICESat, Terra e Aqua. Com ele, será possível aos cientistas desenvolver um inventário de emissão de carbono pelas florestas e medir os ciclos de carbono com mais precisão.

O mapa foi descrito por equipe coordenada por Michael Lefsky, da Universidade do Colorado, na revista "Geophysical Research Letters".

O estudo indica que as florestas mais altas do mundo estão agrupadas no noroeste do Pacífico, da América do Norte e no sudeste da Ásia, enquanto as mais baixas são encontradas ao longo do Canadá e da Eurásia. O mapa mostra a altura média de grupos de pelo menos cinco quilômetros quadrados, e não a altura máxima de um grupo pequeno de árvores.

Estima-se que os homens emitam cerca de 7 bilhões de toneladas de carbono anualmente. Desse total, 3 bilhões de toneladas vão parar na atmosfera e 2 bilhões, no oceano. Os cientistas não sabem, ao certo, o que acontece com os 2 bilhões de toneladas restantes, mas desconfiam que boa parte desse volume seja absorvido pelas florestas. UOL Noticias

segunda-feira, 26 de julho de 2010

DEMOCRACIA NA POLÍTICA SE FAZ NA INTERNET SITE VOTE NA WEB

Fernando Barreto

Em seu escritório, em São Paulo, e a home do site Vote na Web. Ele quer melhorar a democracia. O voto legislativo é um instrumento usado pelos cidadãosele transfere responsabilidade política a um representante com a finalidade de propor e votar leis para melhorar o país.

A tarefa é de importância indiscutível, mas pouca gente tem condições – e paciência – para fiscalizar se o candidato que escolheu está correspondendo a suas expectativas.

Para facilitar a vida de quem pretende acompanhar os passos dos políticos, nasceu, no final do ano passado, o projeto Vote na Web (http://www.votenaweb.com.br/). Ele reúne na internet todos os projetos de lei que entram em votação na Câmara ou no Senado.

O site permite ainda que o internauta sinta o gostinho de agir como político. Funciona assim: a cada projeto de lei que entra em votação, o Vote na Web cria uma página na qual os leitores podem ler o texto e opinar: “Sim” ou “Não”. A votação digital pode ser feita enquanto o projeto estiver tramitando no Congresso. Depois que ele é aprovado ou reprovado, o site compara a escolha do público com aquela que foi feita pelos políticos. O Vote na Web mostra quais parlamentares votaram, se foram contra ou a favor do projeto e de que região eles são. Todos os deputados e senadores têm uma página exclusiva no Vote na Web. Além de uma ficha técnica com suas origens e o histórico na vida política, é possível descobrir ali quantos projetos de lei o político sugeriu e como votou em cada situação.

Por trás desse trabalho em prol da cidadania está o publicitário mineiro Fernando Barreto, de 37 anos, sócio da Webcitizen, que desenvolve sistemas especializados em engajamento social pela internet. Seus clientes são órgãos públicos, ONGs e empresas interessadas em usar a web para mobilizar as pessoas por uma causa, seja ela filantrópica ou comercial.

Ao mesmo tempo que coloca o cidadão em contato com o Poder Legislativo, Barreto usa o Vote na Web como vitrine para conseguir novos clientes. “Todas essas informações estão ao alcance dos eleitores em diversos sites do poder público”, afirma Barreto. “O que fizemos foi reuni-las num único lugar e com design mais atraente.” Seu objetivo: ajudar a resgatar o respeito pela atividade política. “Se a política não tem credibilidade, a democracia não evolui”, afirma.

Não é só o design atraente que torna o Vote na Web uma ferramenta de cidadania interessante. O site tem um sistema de busca que permite ao internauta fazer pesquisas parlamentares detalhadaspor assunto, por político e por Estado.

O resultado pode ser luminoso. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) propôs um projeto de lei que obrigava estudantes de instituições públicas de ensino superior com renda superior a 30 salários mínimos a pagar uma taxa anual para a universidade. Pela escolha popular, o projeto seria aprovado com 67% dos votos. O Congresso, no entanto, o reprovou com 100% dos votos. Já o deputado Zequinha Marinho (PSC-TO) propôs um projeto de lei proibindo a adoção de crianças por homossexuais. Na votação popular, ele vem sendo rejeitado por 78% dos internautas – exceto nos Estados do Tocantins, Maranhão e Piauí, onde vence. O texto ainda tramita em Brasília.

Alguns dos projetos de lei colocados no site (são inseridos entre 60 e 80 deles por mês) tiveram mais de 1.200 votos de internautas. Alguns de seus fóruns chegam a ter centenas de comentários contra ou a favor de determinados projetos. Cerca de 1.100 pessoas seguem as novidades do site pelo Twitter. Oitocentas pessoas estão cadastradas para receber informações do Vote na Web. “Até maio passado, estávamos montando o acervo de informações”, diz Barreto. “Faz pouco tempo que as pessoas começaram a interagir.”

O projeto levou Barreto a receber um convite da Organização das Nações Unidas (ONU) para participar de um congresso no mês passado, em Barcelona, que discutia o uso da tecnologia para o engajamento civil.

A Webcitizen foi a única empresa brasileira a chegar lá, entre mais de 100 participantes. “O projeto teve retorno positivo e entusiasmado da audiência”, afirma Anni Haataja, do Departamento de Interesses Socioeconômicos da ONU. Barreto também tem feito viagens para os Estados Unidos, onde participa de reuniões na ONU como consultor. Ela tenta ajudar a entidade a levar sistemas como o Vote na Web a países com outra cultura política. “É importante ter o apoio de pessoas do setor privado como Barreto”, diz Anni. “Sem isso, nenhuma instituição consegue implementar mudanças.” 

Revista Época

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ABELHAS USAM A CIENCIA GEOMÉTRICA DA CONSTRUÇÃO DAS PIRÂMIDES


 
Por informações de registros akashicos, sabemos que o homem existe na Terra há 18.000.000 de anos. Na reconstrução de Gênese sabemos que os insetos foram criados no terceiro ou quarto dia cósmico. Um dia cósmico eqüivale a 320.040.000.000 de dias nossos.

A criação dos insetos precedeu ao homem, pois a função dos insetos era preparar a habitabilidade na Terra a partir da primeira vegetação, que eram criptógamos e fanerógamos – como vegetais já mais desenvolvidos ao criarem novos tipos de plantas, cujas flores servissem de sustento às abelhas e que estas, em suas visitas, fizessem frutificar as flores pelo processo de polinização. A família das Apidae tem uma preeminência sobre todos os outros insetos, no que se refere à polinização.

A construção de um ninho de abelhas encerra toda ciência geométrica de Pitágoras. O sábio Pitágoras nos ensinou que Deus se manifesta geometrizado; então o ninho e os produtos das abelhas são copias da obra de Deus e todo trabalho delas expressa os pensamentos do Criador. A construção de um ninho de abelhas é uma obra majestosa, como a cor branca do lírio e perfume de jasmim.

As abelhas usam a mesma ciência geométrica com a qual foram construídas as pirâmides.

Todo o trabalho das abelhas parte de um "centro monádico" periférico e eqüidistante do seu centro. Como uma tão proeminente sabedoria milenar, as abelhas dão ao homem um verdadeiro exemplo de trabalho comunitário. Sem apego algum do individualismo, pois tudo é comunitário, elas usufruem dos valores dados pela Natureza e contribuem para o seu equilíbrio: em troca de néctar das flores que a Natureza lhes oferece, elas retribuem com sua ação polinizadora para multiplicar e enriquecer o reino vegetal, animal e humano com sementes e frutas.

Rudolf Steiner nos relata que as abelhas nos foram trazidas de Vênus. Por esses dados nota-se a importância e o grande valor que se atribuíam as abelhas como colaboradoras no preparo da adaptabilidade da Terra, além do seu alimento, o mel como um dos alimentos mais nobres, destilado pelos raios solares incidentes sobre a exuberante vegetação e flores das matas como também o pólen – milhões de corpúsculos solares cintilantes - , a própolis, um fortificante e antibiótico em potencial profilático.

As abelhas são seres solares e só progridem sob os raios de sol. Alimentam-se de produtos solares – o néctar é metabolizado em um produto novo e riquíssimo em potencial alimentar. São capazes de criar sua mãe mediante uma secreção salivar.

Como comportamento social, não encontramos na Natureza um ser igual e nem o homem com tanto destaque e perfeição, consegue comparar-se a um ninho de abelhas, onde reina o equilíbrio. São capazes de resolverem soluções das mais complexas e encobertas pelo véu do silêncio milenar, como a metabolização de seus produtos: mel, pólen , geléia real, própolis. Destilam de seu próprio corpo a argamassa para a construção do seu castelo de cera, que lhes serve de berço e depósito de alimento na estação invernal.

O complexo ritual íntimo da construção do seu ninho obedece a um ritmo fascinante sob a cadência de um poder oculto, onde ninguém manda, porém todos obedecem. Uma espécie de "espírito da colméia".

As abelhas vêm, há milhões de anos, imperturbáveis, seguindo seu ritmo maestral. Com suas leis ocultas resolvem todos seus problemas, permanecendo em ação constante e imutáveis.

Todo espírito da colméia parece obedecer a um ritmo "matriarcal" dado por um comando feminino oculto e absoluto. Quando há abelhas não saudáveis, elas são postas para fora. Aliás, o indivíduo por si próprio abandona a casa para não onerar o serviço interno.

Na expressão dos pensamentos do Criador, as abelhas parecem usar a "perfeição e o Amor", num equilíbrio harmônico da Natureza.

Tudo que for da Natureza é patrimônio Cósmico. Nada pertence ao homem. Ele só tem o direito de usufruto, retribuindo com sua parte.
peshp.vilabol.uol.com.br

ABELHAS MATEMÁTICA DOS ALVÉOLOS

 
Dr. Augusto Carlos de Vasconcelos, engenheiro consultor, membro da divisão de estruturas do Instituto de Engenharia e de comissões de diversas entidades internacionais, entre as quais o ACI, na Comissão 120 - History of Concrete.

O fascinante estudo da vida das abelhas foi iniciado por um poeta e escritor belga da cidade de Gand: Maurício Maeterlinck. Em 1901 ele escreveu um livro encantador que intitulou "La Vie des Abeilles', traduzido em diversos idiomas, inclusive para o português. Quem entretanto analisou cientificamente o comportamento das abelhas foi o biólogo austríaco Karl von Frisch, Professor de Zoologia da Universidade de Munique. Laureado em 1973 com o Prêmio Nobel de Biologia, Frisch dedicou cerca de 50 anos de sua vida ao estudo desse minúsculo animal e o que conseguiu descobrir utilizando as mais criativas artimanhas é realmente fantástico. A obra máxima de Frisch possui o título original em alemão "Tanzsprache und Orientierung der Bienen'’ (Linguagem da Dança e Orientação das Abelhas). Este livro, publicado em 1965 pela Springer-Verlag foi traduzido para o inglês em 1967. Foi entretanto em outro livro, “Tiere als Baumeister” (Animais construtores) de 1974 que Frisch mostrou e descreveu a construção das colmeias. É principalmente desse livro que foi extraí- da a maior parte das informações aqui transcritas.

O problema dos alvéolos das abelhas despertou a curiosidade dos sábios desde a mais remota antigüidade. O primeiro a se interessar por esse estudo parece ter sido Pappus de Alexandria, matemático grego (320 DC). Ele chegou a estudar alvéolos em forma de prismas de seção hexagonal, triangular e quadrada e deixou transparecer que os prismas hexagonais podiam armazenar mais mel do que os outros dois. Entretanto foi Erasmus Bartholin quem primeiro observou que a hipótese de “economia” nada tinha a ver com o trabalho das abelhas que apenas procuravam executar suas células circulares com a maior área possível mas que, devido à pressão exercida pelas companheiras de trabalho, ficavam impedidas de executar paredes que não fossem planas.

Maraldi chegou às suas conclusões em 1700 depois de observar colmeias com capas de vidro transparente nos jardins de Cassini contíguos ao Observatório de Paris, como ele relata em "Observation sur les abeilles" de 1712. Curiosamente, observações análogas já haviam sido feitas por Sir Christopher Wren, o arquiteto da Catedral de St. Paul em Londres, conforme ele relata numa carta ao falar de sua agradável e profícua invenção de uma colmeia transparente (publicada por S.Hartlib em "Reformed Commonweaith of Bees' em 1655.

Na sociedade das abelhas apenas as obreiras se dedicam à construção. Os zangãos e a rainha não estão equipados para essa função. Inicialmente as obreiras, ainda não fisiologicamente aptas para o trabalho fora da colmeia, se dedicam aos cuidados de alimentação das ninfas, fornecendo-lhes o mel e o “Pão das abelhas”, suco nutriente produzido pelas próprias glândulas salivares no início da vida. Depois de algum tempo essas glândulas secam enquanto as glândulas da cera, localizadas no abdômen entre os anéis de quitina atingem sua maturidade. Nesta fase as obreiras abandonam a tarefa de ama e se dedicam à construção. Mais tarde, quando as glândulas produtoras de cera deixam de funcionar, seu trabalho passa a ser fora da colmeia na coleta de pólen e néctar. Como na atividade externa as abelhas se expõem a maiores perigos, é natural que elas, no início da vida, se dediquem a tarefas internas que proporcionem maior desenvolvimento da comunidade.

Na arquitetura da colmeia julgava-se existir o exemplo mais notável no mundo animal da resolução de um problema de máximo e mínimo. Na realidade a forma é uma conseqüência física do processo construtivo, como já acenado por Bartholin.

O fundo de cada alvéolo é uma superfície poliédrica constituída por três losangos iguais, convexa para cada alvéolo. Os ângulos desses losangos também resolvem um problema de máximo e mínimo, já estudado por diversos matemáticos. Cada uma dessas superfícies poliédricas se assemelha a uma pirâmide de três faces e as soluções possíveis são infinitas. Se o ângulo obtuso do losango se aproxima de 90º o fechamento será feito por meio de três quadrados. O menor consumo de cera no fechamento será atingido para um certo ângulo obtuso que a matemática revelou ser de 109º 28’ 16” valor confirmado com precisão de 1’ em todas as colmeias do mundo! Este fato sensacional merece uma descrição mais pormenorizada, as abelhas estavam mais corretas do que os matemáticos com seus cálculos aproximados.

Se a geometria dos alvéolos de uma colmeia nos surpreende pela regularidade e pela perfeição, mesmo sem a participação inteligente do pequeno inseto, permanece sem explicação a questão do processo construtivo. Quais as ferramentas usadas para conseguir a precisão demonstrada pelo estudo da geometria?

Ao iniciarem a construção as abelhas freqüentemente se agrupam em filas. Após pouco tempo formam uma densa bola viva constituindo um cacho dentro do qual a temperatura é mantida constante e igual a 35ºC. Esta temperatura é necessária para que a cera se torne moldável. Quando a temperatura diminui, as abelhas vibram fortemente as asas para que a energia de movimento se transforme em calor. Se a temperatura ficar acima do limite aconselhável, o trabalho é paralisado e as abelhas deixam o ar passar em rajadas para que a temperatura volte ao normal..

A cera é um produto biológico que aparece apenas numa curta fase da vida das abelhas, quando elas deixam de funcionar como amas e antes de atingirem a maturidade, fase em que sua atividade passa a ser fora da colmeia. A cera aparece sob a forma de pequenas escamas entre os quatro últimos anéis de quitina, como produto de glândulas localizadas na parte inferior do corpo. Essas escamas são recolhidas por meio das patas traseiras que possuem o tarso fortemente aumentado em relação ao das outras patas. Essa região do tarso possui no lado interno uma pequena escova de pêlos que em fase posterior da vida, é usada na coleta de pólen. A cera é raspada de sua bolsa com a extremidade da pata e é presa nos pêlos e dali é transferida para as patas dianteiras e delas para a mandíbula. Para que a cera se torne facilmente moldável é misturada com a secreção das glândulas salivares. A massa é mordida e misturada homogeneamente para obtenção do grau de plasticidade adequado à moldagem, que só se consegue na temperatura de 35ºC.

As abelhas se revezam, as ligações são geralmente feitas por abelhas diferentes, pois elas trocam de posição a cada 30 segundos, provavelmente para reabastecimento de cera.  As sucessoras parecem compreender perfeitamente em que ponto o trabalho foi interrompido e continuam a construção de maneira idêntica. Chama-se aqui a atenção de que a forma regular, pensada como sendo devida às pressões mútuas, é exatamente a mesma desde o começo, quando essa pressão não existe.

Os ninhos são formados por:

• estrutura de entrada, diversificada conforme a espécie;
• envólucro;
• células para encubação de ovos;
• células para desenvolvimento das larvas;
• células para armazenar pólen e mel;
• paredes para proteção do ninho (batume);
• galerias de drenagem, quando há necessidade.

De tudo quanto foi exposto, pode-se concluir o seguinte: as abelhas trazem no seu ADN um programa que controla o modo de construção dos alvéolos. Não existe aprendizado, somente impulso genético.

Por aquele programa, as abelhas devem trabalhar em conjunto, distribuindo-se em grupos de 6 em volta do ponto de trabalho. Isto acarreta a execução das paredes dos alvéolos como planos formando diedros de 120º', pois não existem condições para deslocamentos laterais sem esbarrar com a abelha vizinha. Com 6 planos, o alvéolo resulta hexagonal, com espaço interno exatamente compatível com o tamanho do animal. O número 6 resulta da necessidade do alvéolo abrigar uma só abelha ao nascer da pupa.

O fechamento dos alvéolos também é efetuado por pianos com diedros de 120º. Parece que o programa genético está organizado para a realização de apenas diedros de 120º. Não existindo possibilidade de outros diedros, o fechamento só pode ser feito com os 3 losangos bem determinados.Não existe explicação para a execução do ângulo de inclinação dos alvéolos de 13º em relação à horizontal. Esta inclinação é a necessária para que não haja vazamento do mel, na temperatura constante dos alvéolos, com a viscosidade correta do produto fabricado.

A drenagem das construções feitas dentro da terra é algo surpreendente que deve ser objeto de cogitação nos projetos realizados pelo homem.

A matemática dos alvéolos é apenas uma constatação feita pelo homem de que na natureza se usa sempre a menor quantidade de material para preencher uma certa finalidade. Isto resulta diretamente de um planejamento de trabalho visando maior produtividade e maior rapidez. A economia de material é uma constante na natureza em que o custo é interpretado pelo que se poderia denominar "custo metabólico" .

CERA NÉCTAR E PÓLEN SÃO A BASE DOS FAVOS ONDE A ABELHA RAINHA DEPOSITA OS OVOS

 
As abelhas operárias fabricam a cera a partir de néctar e pólen. Com esse material, elas constroem os favos, onde a rainha deposita seus ovos.

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ABELHAS GELEIA REAL É CAPAZ DE REPROGRAMAR A EXPRESSÃO GENÉTICA GLOBAL

 
O segredo da realeza pode estar em detalhes mínimos, segundo pesquisadores da Austrália. Pelo menos a das abelhas. O grupo de cientistas conseguiu descobrir como é que a geléia real é capaz de afetar a espécie para decidir quem será rainha e quem vai levar a vida no batente: alterando diretamente o genoma do inseto.

A geléia real é um alimento especial, consumido pelas larvas de abelhas para se tornarem rainhas. Apenas aquelas que comem a geléia ganham os “poderes” reais, como o direito de ter filhos (as operárias são inférteis) e uma colméia para chamar de sua. As que não têm direito à comida VIP precisam se contentar em serem operárias inférteis.

Até hoje, o segredo da geléia real segue um mistério. Os cientistas não sabem exatamente o que a torna tão especial. Mas, agora, a equipe da Universidade Nacional da Austrália, conseguiu, ao menos, entender o que ela faz.

Quando a larva se alimenta, a geléia real age no genoma e “desliga” uma série de genes, através de um processo conhecido como “metilação de DNA”, que já havia sido observado em mamíferos. A metilação é como um botão de "desligar" do gene –- na verdade, uma molécula que se liga a ele e altera o seu funcionamento.

“As rainhas e as operárias são geneticamente idênticas, mas a geléia é capaz de reprogramar a expressão genética global e, assim, mudar a sua função”, explicou o líder do estudo, Ryszard Malezkat.

Para testar a descoberta, os pesquisadores desligaram o gene sem a ajuda da geléia real, com a engenharia genética. O resultado: as abelhas se tornaram rainhas, férteis e saudáveis.

Agora, o grupo vai se dedicar a descobrir outras áreas do genoma da abelha em que o alimento pode atuar. “A geléria real afeta a expressão de muitos genes, especialmente os ligados ao controle do crescimento e ao metabolismo”, afirmou Malezkat.

Além da importante descoberta sobre a genética das abelhas, o estudo, publicado na revista “Science” desta semana, também desvenda um pouco melhor o impacto que os fatores ambientais têm na genética.

G1

sábado, 17 de julho de 2010

AÇÃO ANTIBACTERIANA DO MEL NEUTRALIZA BACTÉRIAS RESISTENTES A ANTIBÍÓTICOS


Cientistas da Universidade de Amsterdã não apenas comprovaram a ação antibacteriana do mel como mostraram que ele pode neutralizar bactérias resistentes a antibióticos, como Staphylococcus aureus e E. coli.

Os pesquisadores também deram um passo além na busca de novas formas de prevenir e tratar infecções ao descobrir qual é a substância do mel que tem
essa ação. Batizada com o sugestivo nome de defensin-1, trata-se de uma
proteína presente no organismo das abelhas, por elas acrescentada ao mel.

"É importante encontrarmos produtos naturais que desativam bactérias. Eles não têm a toxicidade dos medicamentos e podem ser usados em quantidades maiores", diz o infectologista Marcos Boulos, da Faculdade de Medicina da USP.

O uso popular do mel para tratar sintomas como dor de garganta mostra que ele tem alguma eficácia, segundo Boulos. Porém, o mel "in natura" não oferece garantia de controle da infecção.

"Além da questão da qualidade do mel, não sabemos se a substância ativa foi ingerida em concentração suficiente. A vantagem da pesquisa foi isolar a substância, o que pode levar ao desenvolvimento de produtos eficazes para cura e prevenção de infecções", diz o médico.

Segundo o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, o mel é um nutriente de alto valor energético, que pode ajudar o sistema imunológico, mas o uso contra infecções ainda tem que ser muito estudado.

Durval Ribas, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, diz que há alguns estudos mostrando a ação anti-inflamatória e bactericida do mel em infecções de pele. "Mas ainda não podemos confirmar o uso médico", acrescenta.

Para os autores da pesquisa, publicada no jornal da Federação das Sociedades Americanas para Biologia Experimental, o mecanismo de ação foi esclarecido.

Eles afirmam que tanto o mel quanto a substância antibacteriana isolada (a defensin 1) têm alto valor na prevenção e no tratamento de infecções por bactérias resistentes a antibióticos. 

Jornal Folha de São Paulo

ALTA MATEMÁTICA DAS ABELHAS GEÔMETRAS



Assegura o escritor belga Maurice Maeterlinck (1862-1949) que as abelhas, na construção de seus alvéolos, resolvem um problema de “alta matemática”. Aqui tentamos explicar o chamado problema das abelhas, a razão da forma hexagonal do alvéolo e o caso do célebre ângulo de fechamento na cobertura rômbica do alvéolo que assombrou os matemáticos, os teólogos e os naturalistas da Europa.

Com uma única finalidade a abelha constrói os seus curiosos alvéolos: é para neles depositar o mel que fabrica. Esses alvéolos são feitos de cera. Levadas (afirmam os sábios pesquisadores) por um instinto admirável, as abelhas procuram obter para seus alvéolos uma forma que seja a mais econômica, isto é, que apresente “maior volume” ou maior capacidade, para a menor porção de material empregado.

O prisma mais econômico é o prisma hexagonal, pois é aquele que apresenta, para o mesmo gasto de material, maior volume, isto é, maior capacidade. Foi por esse motivo que as abelhas, para os seus alvéolos, adotaram a forma hexagonal.

Como são colocados, para maior economia de espaço, os alvéolos das abelhas. A parede de um alvéolo serve para outro alvéolo. Não há entre os alvéolos espaço perdido e a forma hexagonal é a mais econômica.

O problema das abelhas, porém, não está terminado.Como fechar os alvéolos para conseguir a máxima economia de material? Já nesse ponto o problema torna-se mais delicado, pois só pode ser resolvido com os recursos da Trigonometria e do Cálculo Infinitesimal (teoria dos máximos e mínimos).

A fórmula adotada pela abelha geômetra foi a seguinte: o fundo de cada alvéolo é formado de três losangos iguais. Com essa forma rômbica, em vez de fundo raso (plano) as abelhas, economizam um alvéolo em cada cinqüenta. Em milhões e milhões de alvéolos essa pequena economia de 1 em 50 é incalculável.

Eis como as abelhas colocam os seus alvéolos hexagonais. Esses alvéolos, para maior economia de material, são fechados por três losangos iguais. O valor constante do ângulo agudo de um losango de fechamento causou sério debate entre teólogos, naturalistas e matemáticos.

A precisão das abelhas na construção dos alvéolos
 impressiona os matemáticos e físicos

Sim, o sistema de fechamento com três losangos é o mais econômico. O físico René-Antoine Feichant de Reaumur (1683-1757) notou que, no losango de fechamento, o ângulo agudo era constante. Não variava. O fato intrigou Reaumur. Mandou buscar alvéolos na Alemanha, na Suíça, na Inglaterra, no Canadá e até na Guiana – e todos apresentavam o losango de fechamento com o mesmo ângulo.

O astrônomo francês Jean-Dominique Maraldi (1709-1788) mediu com maior precisão o tal ângulo agudo, e achou 70º32' em todos os alvéolos. O ângulo obtuso seria o suplemento e media, portanto, 109º28'. 

A constância do ângulo (70º32') em todos os alvéolos impressionou Reaumur. Algum motivo tinha a abelha para adotar aquele ângulo em todos os alvéolos. Seria, ainda, a latejar no instinto do animal, a questão de economia de material? E aquele ângulo seria o ângulo certo para o caso?

Resolveu Reaumur consultar o seu amigo e notável matemático Samuel König (1712-1757), alemão de nascimento, mas radicado na França. O problema foi proposto ao eminente algebrista nos seguintes termos:

É dado um prisma hexagonal regular. Esse prisma é fechado em uma de suas extremidades, por três losangos iguais. Pergunta-se: Qual deve ser o ângulo desse losango de modo que se obtenha, para o prisma, um volume máximo com a maior economia de material?

Convém dizer a verdade: König desconhecia as pesquisas feitas por seu amigo Reaumur, e ignorava os trabalhos de Maraldi. König jamais pensara que estaria destinado a calcular alvéolo de abelha. É claro que König, o maior matemático alemão de seu tempo, rival do célebre Maupertius, resolveu o problema do ângulo u do losango e achou: u = 70º 34'  E concluiu: “É esse o ângulo que deverá ser adotado para o prisma mais econômico.” O resultado apresentado pelo prestigioso matemático assombrou o mundo científico da França.

Ângulo calculado pelo matemático: 70º34'
Ângulo calculado pelas abelhas: 70º32'

– As abelhas erravam. Mas o erro é mínimo – diziam alguns teólogos. Erravam na construção de seus alvéolos porque obra perfeita só Deus poderia fazer! Sim, o erro no ângulo, de dois minutos, só poderá ser apreciado com aparelhos de precisão.

Os naturalistas afirmavam que o erro cometido pelas abelhas geômetras deveria resultar da natureza do material empregado. O matemático abordara a questão teórica, mas o pequenino inseto era obrigado a encarar o problema prático, problema da vida. Alguns naturalistas (não matemáticos) entraram nos debates.

– O fato – diziam os naturalistas – é que as abelhas, apontadas como geniais, erram e o esclarecido König, com seus cálculos, descobriu o erro das geômetras irracionais!

As abelhas é que estavam certas!!!
Houve, porém, um fato impressionante que modificou inteiramente a face do problema das abelhas. Um matemático inglês, Collin Mac-Laurin (1698-1746), quatro anos mais velho que König, informado do caso, resolveu entrar também na questão, isto é, abordar o problema das abelhas.

Retomou o problema, aplicou as fórmulas e resolveu com os recursos do Cálculo Diferencial. E achou que König havia errado. O ângulo do losango, para o alvéolo mais econômico, deveria medir precisamente 70º32'. Era esse o ângulo que as abelhas adotavam! A revelação de Mac-Laurin, publicada, e traduzida, causou novo escândalo no meio científico europeu. Novos debates surgiram entre os cientistas.

König, o respeitável matemático, nome consagrado pela Academia de Ciências, havia errado! A verdade estava com as abelhas.

Procedeu, porém, Mac-Laurin dentro de uma ética impecável. Declarou que seu colega König errara por ter utilizado em seus cálculos uma tábua de logaritmos que tinha um erro. Revelou Mac-Laurin qual era essa tábua e onde estava o erro, do qual resultara, para o ângulo do losango, uma pequena diferença de dois minutos.

Na construção dos alvéolos as abelhas resolvem um problema de alta
matemática.Depois da revelação de Mac-Laurin reacenderam-se, com maior
violência, os debates em torno do caso. A Ciência vinha provar que as abelhas resolviam, na construção de seus alvéolos, um problema de alta Matemática:

Calculavam o volume V do prisma em função do ângulo x do losango de fechamento (esse cálculo é complicadíssimo). Tornavam a derivada de V em relação a x (operação bastante trabalhosa) . Igualavam a zero essa derivada e resolviam a equação trigonométrica resultante.  Essa equação só podia ser resolvida com o auxilio de logaritmos,

Em relação ao índice da dificuldade desse problema podemos garantir o
seguinte:O curso de Matemática (da escola primária até o fim do científico)
feito durante 11 anos não fornece a um jovem, bastante aplicado e inteligente, recursos suficientes para que ele possa compreender e resolver o problema
das abelhas, isto é, o problema completo que as abelhas resolvem quando
constroem os seus alvéolos.

A verdade é esta. Já disse o Padre Leonel Franca, S. J. : “A realidade não se destrói; os fatos não se suprimem.”  Maeterlinck tinha razão. As abelhas resolvem um problema de alta Matemática. São geômetras e essa espantosa capacidade matemática das abelhas é um mistério para a Ciência, mistério que os sábios jamais poderão desvendar.

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SUPERORGANISMO DA COLMEIA

Uma colméia é muito mais que uma sociedade perfeita. Na verdade, é um superorganismo, como se as abelhas fossem um mamífero “distribuído” em muitos corpos diferentes trabalhando juntos.

Sem que haja um centro de comando claro, elas conseguem um grau de organização e complexidade que, em certos aspectos, rivaliza ou até ultrapassa o da nossa espécie.

Esses insetos sociais parecem ter “inventado” o saneamento básico, as creches, o aquecimento central e o ar-condicionado, só para dar alguns exemplos, dezenas de milhões de anos antes que o primeiro macaco se dignasse a andar com duas pernas.

As descobertas mais recentes sobre essas e outras façanhas dos bichinhos estão em “The Buzz about Bees – Biology of a Superorganism” (algo como “O quente sobre as abelhas – A biologia de um superorganismo”), de Jürgen Tautz, pesquisador da Universidade de Würzburg.

Com a ajuda de fotos espetaculares de abelhas domésticas (ou Apis mellifera, como se diz em latim científico) em ação, o texto de Tautz explica que comparar as colméias a cidades, apesar de tentador, não é lá muito correto.

As colméias, diz ele, estão mais para um único grande organismo, cujos “braços”, “pernas” e “estômago” são as abelhas operárias e cujos órgãos sexuais são as rainhas e os zangões – únicos indivíduos que chegam a se reproduzir em toda aquela massa de dezenas de milhares de zumbidoras. Na verdade, o superorganismo chamado colméia se comporta como uma bactéria, já que se reproduz por divisão simples: quando chega ao limite de sua capacidade de crescimento, milhares de operárias, lideradas pela rainha, simplesmente migram para outro local, recriando uma cópia da antiga colônia. Desse ponto de vista, pode-se dizer que as colméias são imortais.

Na construção dos favos, bichos fazem pirâmides vivas cuja função ainda é
mistério Por outro lado, as rainhas continuam a produzir mais filhas
“à moda antiga”, por meio do sexo com zangões, o que garante a mistura de
genes que é uma das grandes vantagens da reprodução sexuada. “As abelhas conseguiram uma vantagem [a ‘imortalidade’ das colméias] sem abrir mão da
outra, reproduzindo a colônia inteira por divisão simples, por meio dos
enxames, e simultaneamente criando indivíduos reprodutivos cujo tempo de
geração é sincronizado com o ciclo dessa divisão”, resume Tautz.

Um mistério que nem cientistas nem criadores de abelhas ainda conseguiram responder é por que a segunda metade desse ciclo de vida maluco surgiu. É meio estranho a multidão de operárias abrir mão de ter seus próprios bebês e passar seus genes adiante, deixando a rainha com esse privilégio. A explicação que normalmente é proposta tem a ver com a chamada seleção de parentesco – ou seja, com o fato de que os parentes de um indivíduo sempre carregam uma fração significativa dos seus próprios genes, e favorecê-los equivale a favorecer a si mesmo.

Ora, a vida sexual bizarra das abelhas parece ser um caso muito especial de seleção de parentesco. Para começar, os zangões são verdadeiros filhos da mãe: eles surgem de ovos não-fertilizados da rainha. Por isso, ao contrário de nós, que recebemos dois conjuntos de genes, um do pai e o outro da mãe, os machos da espécie possuem um só conjunto de genes. E ele é passado integralmente para as operárias, de forma que as filhas do mesmo zangão herdam exatamente os mesmos 100% dos genes dele.

Já as irmãs por parte de mãe só compartilham, em média, 50% dos genes maternos. Fazendo as contas, descobrimos que as operárias deveriam ter em comum 75% dos genes com suas irmãs. E qual seria o parentesco delas com suas filhas, supondo que elas as tivessem? “Apenas” 50%. Ou seja, a operária interessada em propagar ao máximo seu próprio DNA deveria fazer de tudo para que a rainha produzisse multidões de irmãs trabalhadoras e desencanaria de botar seus próprios ovos.

A idéia faz sentido que é uma beleza, mas tem um detalhe: só funciona se todas as abelhas forem filhas do mesmo pai e da mesma mãe, coisa que não acontece no mundo real. Na época do acasalamento, a jovem rainha é fecundada por uns dez zangões diferentes, os quais deixam seu membro cheio de esperma grudado no traseiro da amada e caem mortos, com as vísceras arrancadas. (Pois é, os zangões não passam de espermatozóides voadores. Fora da época de acasalamento, são expulsos da colméia para morrer de fome.) Desse jeito, o parentesco real entre a maioria das operárias é de apenas 25%.

Zangão sendo expulso da colmeia

A organização da colméia tem outras vantagens. A começar pelo ar-condicionado: uma das principais funções das operárias é manter estável a temperatura das larvas, suas irmãzinhas em desenvolvimento, por volta dos 36 graus Celsius. Para aquecer o ninho, as abelhas se deitam em cima dos favos em forma de héxagono, ou então entram num deles, e vibram rapidamente os músculos das asas, até esquentar os “bebês”; o corpo de outras abelhas, que esperam sua vez de atuar como condicionador de ar vivo, ajuda no isolamento térmico. Se a coisa esquenta demais, outras abelhas espalham gotículas de água pelo recinto e espalham o vapor resultante batendo as asas.

Para manter o lar sempre habitável, elas também removem abelhas mortas e intrusos e usam o própolis, obtido de vegetais, como antibiótico. E, por meio de uma linguagem rudimentar, a famosa dança das abelhas, comunicam com relativa precisão onde estão boas fontes de néctar e pólen. Ao vibrar o corpo, os bichinhos informam a distância (pela quantidade de vibrações) e a direção (pela orientação do corpo) das flores mais carregadas.

O mais surpreendente é que tudo isso ocorre sem uma “autoridade” central: é o comportamento individual de cada abelha, comunicando-se com os demais, que leva a colméia a atingir objetivos sofisticados sem ter consciência direta disso. Para Tautz, entender detalhadamente como isso acontece pode inspirar novas tecnologias, e até formas mais avançadas de inteligência artificial.

Um novo estudo indica que as abelhas operárias só não "usurpam" o lugar das rainhas, botando seus próprios ovos em vez de cuidar dos da soberana, porque uma espécie de polícia da colméia devora esses ovos, impedindo a subversão da ordem social.  Nessas grandes colônias, a rainha é ao mesmo tempo senhora e "mãe" da colméia, colocando ovos que geram todas as várias castas de abelha ou vespa operária.

No entanto, Ratnieks tem o cuidado de dizer que não acha que o altruísmo aparente, como o das abelhas, só evoluiria graças a ajuda de uma força policial. "Quase certamente não havia policiamento ou punição quando os insetos se tornaram sociais, há 100 milhões de anos. Mas desde então as sociedades deles se tornaram mais complexas, com milhões de membros, e por isso evoluíram mecanismos para impedir que indivíduos ajam contra o interesse da sociedade."  G1