terça-feira, 22 de março de 2011

SAL GROSSO TEM O MESMO COMPRIMENTO DE ONDA DA COR VIOLETA


O sal é um cristal e por isso emite ondas eletromagnéticas que podem ser medidas pelos radiestesistas. Ele tem o mesmo cumprimento de onda da cor violeta, capaz de neutralizar os campos eletromagnéticos, é considerado um potente purificador de ambientes. Visto do microscópio o sal bruto revela que é um cristal, formado por pequenos quadrados ou cubos achatados. As energias densas costumam se concentrar nos cantos da casa. Por isso,*colocar um copo de água com sal grosso ou sal de cozinha equilibra essas forças e deixa a casa mais leve. Para uma sala média onde não circula muita gente, um copo de água com sal em dois cantos é suficiente.

Em dois ou três dias já se percebe a diferença. Quando formam-se bolhas é hora de renovar a salmoura.

A solução de água e sal também é capaz de puxar os íons positivos, isto é, as partículas de energia elétrica da atmosfera, e reequilibrar a energia dos ambientes. Principalmente em locais fechados, escuros ou mesmo antes de uma tempestade, esses íons têm efeito intensificador e podem provocar tensão e irritação.

A prática simples de purificação com água e sal deve ser feita à menor sensação de que o ambiente está carregado, depois de brigas ou à noite no quarto, para que o sono não seja perturbado.

Banho de sal grosso e o antigo escalda-pés (mergulhar os pés em salmoura bem quente) têm o poder de neutralizar a eletricidade do corpo. Para quem mora longe da praia é um ótimo jeito de relaxar e renovar as energias. Já foi considerado o ouro branco (salmoura para conservar alimentos).

Depois de uma festa, lavar todos os copos e pratos com sal grosso para neutralizar a energia dos convidados, purificando a louça para o uso diário.

Tomar banho de água salgada com bicarbonato de sódio purifica as energias e é relaxante. O único cuidado é não molhar a cabeça, pois é aí que mora o nosso espírito.

Na tradição africana, quando alguém se muda, as primeiras coisas a entrar na
casa são: um copo de água e outro com sal. Usam sal marinho seco, num pires
branco atrás da porta para neutralizar a energia de quem entra. Também tomam banho com água salgada com ervas para renovar a energia interna e a vontade de viver.

No Japão, o sal é considerado poderoso purificador. Os japoneses mais tradicionais jogam sal todos os dias na soleira das portas e sempre que uma visita mal vinda vai embora. Símbolo de lealdade na luta de sumô. Os campeões jogam sal no ringue para que a luta transcorra com lealdade.

Use esse poderoso aliado! É barato, fácil de encontrar, e pode lhe ajudar em momentos de dificuldade e de esgotamento energético!

Modo de tomar o banho de sal grosso:
Após seu banho convencional, deixe um punhado de sal grosso escorrer do pescoço para baixo, embaixo da água da ducha. Uma opção que agrada muitas pessoas, é colocar um punhado de sal dentro de uma meia, e repousar esta na nuca (atrás do pescoço) debaixo da ducha. Não é aconselhável banhos freqüentes com o sal.

Benefícios de banhos e escalda pé com sal grosso:
Fisiológicos·
Ajuda a aliviar artrite e reumatismo.
Ajuda a desintoxicar o corpo e afastar os vírus.
Ajuda a aliviar a dor lombar crônica
Ajuda a aliviar o pé do atleta, calos e calosidades.
Relaxa a tensão, dores musculares e nas articulações.
Estimula a circulação natural para a melhoria da saúde.

Benefícios estéticos:
Ajuda a curar
Suaviza e amacia a pele
Tira as impurezas da pele
Incentiva a pele se renovar
Alivia comichão, ardor epicadas
Restaura o equilíbrio a umidade da pele
Alivia irritações da pele como psoríase / eczema·as cicatrizes

Ocupacional
Ajuda a aliviar o estresse e tensão
Alivia a tensão nas mãos e punhos
Proporciona um relaxamento profundo
Ajuda a aliviar lesões no desporto Psico-física
Alivia o cansaço, os pés doloridos e os músculos da perna

Raul Kan enviou esta Mensagem
http://flawegmann.wordpress.com

segunda-feira, 21 de março de 2011

A VISÃO PLANETÁRIA DE BARACK OBAMA

A teosofia é uma filosofia planetária e a sua meta primeira é despertar a compreensão e a vivência da fraternidade universal. Assim como o movimento teosófico, ela é independente de rótulos, nomes pessoais, ideologias ou organizações. O que define o verdadeiro campo de ação da teosofia clássica e do seu estudante são fatores muito reais mas intangíveis como a compreensão das leis da natureza, a consciência ética e uma solidariedade para com todos os seres.

Ter acesso à sabedoria divina é um assunto de almas e não de corporações ou instituições. William Judge, um dos principais fundadores do movimento esotérico moderno, escreveu:

“Como o Movimento Teosófico é contínuo, ele pode ser encontrado em todos os tempos e todas as nações. Onde quer que o pensamento venha lutando para ser livre, onde quer que as idéias espirituais tenham sido promulgadas em oposição às formas e ao dogmatismo, lá o grande movimento pode ser percebido.”

Deste ponto de vista, um cidadão de boa vontade e visão ampla pode ser considerado um verdadeiro teosofista, ainda que não seja membro de qualquer agrupação teosófica. Não importa se ele é cristão, judeu, budista, muçulmano ou seguidor de uma ou de outra filosofia. Na medida em que ele compreende a universalidade da ética planetária, sua vida ajuda a abrir espaço para a percepção da fraternidade universal, e ele é um verdadeiro teosofista, no plano da alma.

Este parece ser o caso de Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos em novembro de 2008 e que agora lidera o país mais influente do nosso processo civilizatorio. Examinando fatos da vida de Obama e fragmentos dos livros que escreveu, podemos avaliar o tamanho da afinidade que há entre ele e a sabedoria universal.

Em julho de 2008, Barack Obama falou em Berlim, Alemanha, para uma multidão calculada pelas autoridades policiais em duzentas mil pessoas. Ele abriu o evento sem precedentes esclarecendo que estava ali na condição de “cidadão do mundo” – uma expressão que contém em si mesma a idéia da cidadania planetária e de um mundo sem fronteiras. Ali estava um cidadão em campanha eleitoral nos Estados Unidos, falando em manifestação de rua em país europeu. Em seguida, Obama formulou a sua proposta de cooperação entre todos os povos. Referindo-se indiretamente à derrubada democrática do Muro de Berlim, em 1989, ele disse:

“A solidariedade e a cooperação entre as nações não é uma escolha. É o único caminho, o único caminho, para proteger a nossa segurança comum e fazer avançar a nossa humanidade comum. É por isso que o maior de todos os perigos seria permitir que novos muros nos dividam um dos outros. Os muros entre os velhos aliados dos dois lados do Atlântico não podem ficar de pé. Os muros entre os países que têm muito e os países que têm muito pouco não podem ficar de pé. Os muros entre raças e tribos; nativos e imigrantes; cristãos e muçulmanos e judeus, não podem ficar em pé. Estes são, agora, os muros que nós devemos derrubar. Nós sabemos que eles caíram antes. Depois de séculos de conflito, os povos da Europa formaram uma união promissora e próspera.”

“Aqui, na base de uma coluna construída para marcar a vitória na guerra, nós nos encontramos no centro de uma Europa em paz. Muros caíram não só em Berlim, mas eles vieram abaixo em Belfast, onde os protestantes e os católicos descobriram uma maneira de viver lado a lado; nos Balcãs, onde a nossa aliança Atlântica terminou as guerras e apresentou criminosos de guerra à justiça; e na África do Sul, onde a luta de um povo corajoso derrotou o apartheid. Assim, a história nos faz lembrar do fato de que os muros podem ser derrubados. Mas a tarefa nunca é fácil. A verdadeira cooperação e o verdadeiro progresso requerem um trabalho constante e um sacrifício contínuo. Eles exigem que se compartilhe as responsabilidades do desenvolvimento e da diplomacia; do progresso e da paz. Eles requerem aliados que escutam uns aos outros, que aprendem uns dos outros, e, sobretudo, que confiam uns nos outros.”

“Este é o momento em que devemos renovar a meta de um mundo sem armas nucleares. As duas superpotências que olhavam uma para a outra através do muro desta cidade estiveram demasiado perto, por um tempo demasiado longo, de destruir tudo o que nós construímos e tudo o que amamos. Com o final daquele muro, nós não necessitamos ficar parados sem fazer nada, olhando para a proliferação da energia atômica mortal. (...) Este é o momento de começar a trabalhar em busca da paz de um mundo livre de armas nucleares.”

Depois ele falou vigorosamente da necessidade de paz no Oriente Médio, e abordou a questão da ecologia planetária. Obama disse:

“Este é o momento em que devemos unir-nos para salvar este planeta. Devemos tomar a decisão de que não deixaremos para nossos filhos um mundo em que os oceanos se elevam, e a fome se espalha, e tempestades terríveis devastam as nossas terras. Devemos decidir que todas as nações – inclusive a minha própria – agirão com a mesma seriedade de propósito que a sua nação [a Alemanha], e reduzirão o carbono que colocam na atmosfera. Este é o momento em que devemos devolver às nossas crianças o futuro que pertence a elas. Este é o momento para agirmos em unidade.”

Obama parece saber o que deve fazer. E não pode ser acusado de possuir metas demasiado pequenas. Filho de um queniano, e nascido Havaí, ele concluiu o seu principal discurso fora dos Estados Unidos com estas palavras:

“Povo de Berlim – povo do mundo – este é o nosso momento. Esta é a nossa vez. Eu sei que meu país não tem se aperfeiçoado. (...) Nós temos a nossa quota de erros. (...) Mas também sei que (...) durante mais de duzentos anos, nós temos nos esforçado (...) com outras nações, [por] um mundo com mais esperança. Nosso compromisso nunca foi com qualquer tribo ou reino especificamente – na verdade, todas as línguas são faladas em nosso país; todas as culturas deixaram sua marca na nossa cultura; e cada ponto de vista é expressado em nossas praças públicas. O que sempre nos uniu – o que sempre mobilizou o meu povo – o que atraiu o meu pai para o território norte-americano, é um conjunto de ideais que correspondem a aspirações compartilhadas por todos os povos: a crença de que podemos viver livres de medo e de necessidades materiais graves; de que podemos dizer o que pensamos, e reunir-nos com quem quisermos, e seguir a religião que acharmos melhor. (...) Povo de Berlim – e povo do mundo – a escala do nosso desafio é grande. O caminho à frente será longo. Mas venho dizer a vocês que somos herdeiros de uma luta por liberdade. Que somos um povo de esperanças improváveis. Com o olhar voltado para o futuro, com decisão em nossos corações, que possamos lembrar desta história, fazer frente ao nosso destino e refazer o mundo mais uma vez.”

Em fevereiro de 2007, ao fazer o discurso de lançamento da sua candidatura, ele assumira um compromisso com a mudança ética e ecológica em escala planetária:

“Sejamos a geração que finalmente liberta a América do Norte da tirania do petróleo. Podemos usar combustíveis alternativos, produzidos localmente, como o etanol, e aumentar a produção de carros com mais eficiência energética. Podemos estabelecer um sistema de fixação de gases que produzem o efeito estufa. Podemos transformar esta crise de aquecimento global em uma oportunidade para inovar, e para criar empregos, e para incentivar empreendimentos que servirão de modelo para o mundo. Sejamos a geração que faz com que as futuras gerações tenham orgulho do que nós fizemos aqui.”

Sem receio de assumir metas visionárias – e olhando muito além das eleições norte-americanas –, ele disse naquela ocasião inaugural:

“E se vocês se somam a mim nesta luta improvável, se vocês sentem o chamado do destino, e vêem, como eu vejo, que o momento de acordar e de abandonar o medo é agora, assim como o momento de pagar a dívida que temos diante das gerações passadas e futuras, então estou pronto a assumir esta causa e marchar com vocês, e trabalhar com vocês. Juntos, a partir de hoje, que completemos o trabalho que necessita ser feito, de trazer para esta Terra um novo nascimento da liberdade.”

A proposta de Obama para os Estados Unidos e o mundo é acusada por seus adversários de ser vaga e ambígua. Ele chegou a ser qualificado como “pouco norte-americano”. A verdade é que ele tem uma visão mais complexa e mais profunda do que meras bandeiras eleitorais ou nacionalistas. A base do seu discurso é simultaneamente inter-religiosa, ética e filosófica. Está na famosa Regra de Ouro, um velho princípio da filosofia clássica grega e da antiga sabedoria oriental, que foi ensinado por Confúcio nos “Analectos” e adotado mais tarde pelo cristianismo. Este princípio ético milenar poderia ser chamado, corretamente, de “lei do bom carma”.

“No final das contas, o que se necessita é nada mais, nada menos, que aquilo que todas as grandes religiões do mundo exigem – que façamos aos outros aquilo que queremos que eles façam a nós. Devemos proteger o nosso irmão, como a escritura diz. Devemos proteger a nossa irmã. Devemos encontrar aquele interesse comum que todos temos uns nos outros, e fazer com que a nossa política reflita este espírito.” [7]

O que será que existe de autenticamente teosófico na vida real de Barack Obama, e que possa explicar o seu constante discurso de adesão e de compromisso com a Ética Universal presente em todas as religiões? Qual é a sua formação, do ponto de vista da visão universalista da vida? Em que atmosfera Obama foi criado?

Ele nasceu em agosto de 1961 no Havaí. Não por casualidade a sua vida e suas idéias parecem expressar, até certo ponto, o espírito de “Aloha”.

A palavra “Aloha” é um verdadeiro mantra sagrado na cultura havaiana, famosa mundialmente por sua abertura mental e fraternidade em relação a todos os povos. É uma saudação e um conceito universalista. O termo é considerado equivalente à palavra sânscrita “Namastê” (“a divindade em mim saúda a divindade em você”); mas também significa “Shalom”, “Paz”, assim como “Compaixão” e “Amizade”.

O chamado “espírito de Aloha” implica um estado mental de paz consigo mesmo e com todos os seres. A filosofia, o discurso e a prática de Barack Obama parecem expressar alguma coisa deste mantra e desta cultura presentes em sua juventude.

Os avós maternos de Barack, que tiveram um papel central na educação do garoto, não só viviam no Havaí com o neto mas foram influenciados em determinado momento pela Igreja Unitária Universalista. Esta era uma igreja que buscava a confraternização das religiões e que mantinha laços estreitos com a Sociedade hinduísta Brahmo Samaj. A pensadora russa Helena Blavatsky escreveu extensamente sobre o movimento Brahmo Samaj, elogiando seu fundador e criticando os erros cometidos por seus líderes posteriores. 

Barack Obama escreveu, sobre seu avô materno: “Ele gostava da idéia de que os Unitários estudavam as escrituras de todas as grandes religiões”.  Para o avô, segundo Barack, era “como ter cinco religiões em uma.

Quanto ao avô paterno de Barack Obama, Hussein Onyango Obama, ele foi um curandeiro africano do Quênia, um muçulmano com poderes de cura e imerso nas tradições da cultura local.

O pai de Barack Obama, africano e negro, também se chamava Barack. Este foi seu mestre e seu herói. Barack, o pai, deixou na vida de Barack, o filho, uma presença transcendente e uma influência mítica. No mundo infantil de Barack, o mundo intangível em que seu pai existia se misturava de algum modo com as origens do cosmo.

Cabe lembrar que a origem e o destino do universo é um tema teosófico por excelência.

Na sabedoria esotérica oriental, o assunto se relaciona com o caminho das grandes iniciações. Ao longo da sua obra “A Doutrina Secreta”, H. P. Blavatsky faz um estudo comparado das principais narrativas da origem do universo e do homem, mostrando os pontos em comum que há entre os relatos dos caldeus, da Bíblia, do Popol Vuh centro-americano, dos Puranas hindus, da Cabala judaica e de muitos outros povos. Barack Obama enfrentou este tema cósmico em sua infância, junto ao tema do pai-mito.

Em um dos seus livros, ele confessa, não sem humor: “... O caminho da vida do meu pai ocupava o mesmo terreno que um livro que minha mãe comprou uma vez para mim, um livro chamado “Origens”, uma coleção de histórias da Criação de todas as partes do mundo, histórias de Gênese e da árvore na qual havia nascido o homem, Prometeu e o presente do fogo, a tartaruga da lenda hindu que flutuava no espaço, sustentando o peso do mundo sobre as suas costas. Mais tarde, quando fiquei mais acostumado ao caminho estreito para a felicidade a ser encontrado na televisão e nos filmes, eu ficava perplexo com várias questões. Em que se apoiava a tartaruga? Por que motivo um Deus onipotente permitiu que uma serpente causasse tamanho sofrimento? Por que meu pai não voltava? Mas com cinco ou seis anos de idade eu estava satisfeito com deixar estes mistérios distantes intactos...”.

Foi a mãe de Obama, branca e norte-americana, que lhe transmitiu na vida diária a visão inter-religiosa e universalista, assim como o hábito diário do auto-treinamento e da auto-disciplina. Ela mantinha uma distância crítica das religiões dogmáticas, assim como faz a teosofia clássica e original, enquanto a pseudo-teosofia, lamentavelmente, cria versões próprias da religiosidade exotérica, com seus dogmas e sacerdotes.

Barack escreve que seus avós passaram à sua mãe uma combinação de racionalismo com jovialidade, e acrescenta:

“As próprias experiências de minha mãe como criança sensível e amiga dos livros, que crescia nas pequenas cidades do Kansas, Oklahoma e Texas, apenas reforçaram o ceticismo que herdara. As lembranças dos cristãos que povoavam sua juventude não eram das mais agradáveis. Ela ocasionalmentese recordava dos pregadores que baniam três quartos da população mundial por considerá-los pagãos ignorantes condenados a passar a vida eterna em maldição – e que insistiam que a terra e o céu foram criados em sete dias , com todas as provas geológicas e astrofísicas dizendo o contrário. Lembrava-se das mulheres respeitáveis da igreja, sempre tão rápidas em evitar as pessoas que não correspondessem aos seus padrões de decência, apesar de elas próprias ocultarem segredinhos sujos; dos pastores que proferiam epítetos raciais e ludibriavam os trabalhadores para tirar deles todo o dinheiro que conseguissem.”.

Tal mediocridade “religiosa” não ocorria por acaso. Há um contexto maior em torno deste tipo de estreiteza de horizontes, que não é um fenômeno local, mas constitui na verdade um problema de escala global, combatido de frente pelos estudantes da teosofia original.

A verdadeira religiosidade não pode ser transformada em prisioneira de uma instituição ou ritual, nem pode distanciar-se por um momento da filosofia ou da ciência. Ela deve, isto sim, avançar inter-disciplinarmente, unida ao livre-pensamento.

Na famosa Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas” (Ed. Teosófica, Brasília, dois volumes) , um mestre dos Himalaias – um raja-iogue – afirma que dois terços do sofrimento humano são causados pela falsidade e pelas ilusões provocadas pelas religiões dogmáticas e sacerdotais.

“Para minha mãe, a religião organizada muito frequentemente esconde sua mentalidade limitada sob o manto da piedade; e a crueldade e a opressão, sob o da honestidade. Mas isso não quer dizer que ela não me transmitiu valores religiosos. Para minha mãe, o conhecimento de pontos importantes das grandes religiões do mundo era uma parte necessária de uma educação impecável. Em nossa casa, a Bíblia, o Alcorão e o Bhagavad Gita ficavam na prateleira juntamente com os livros da mitologia grega, norueguesa e africana. Na Páscoa ou no Natal [minha mãe] me arrastava para a igreja, assim como para templos budistas, para a celebração do Ano Novo chinês, para santuários xintoístas ou para antigos locais de rituais hawaianos. Mas fui educado para entender que isso não exigia nenhum compromisso de longo prazo da minha parte, nenhum esforço introspectivo maior ou autoflagelação. Para minha mãe, a religião era uma expressão da cultura humana; ela não explicava a origem da humanidade, era apenas uma das muitas formas – e não necessariamente a melhor maneira – de o homem tentar controlar o desconhecido e entender as mais profundas verdades sobre nossa vida. Em suma, minha mãe via a religião pelos olhos da antropóloga que ela viria a ser; era um fenômeno a ser tratado com respeito, mas também com desapego. (.....) E, apesar do seu secularismo, minha mãe era de muitas formas a pessoa mais espiritualizada que conheci. Tinha um instinto inabalável para a bondade, a caridade e o amor, e passou grande parte da sua vida agindo de acordo com estes instintos, às vezes em detrimento de si mesma. Sem a ajuda de textos religiosos ou autoridades externas, trabalhou muito para transmitir a mim os valores que muitos norte-americanos aprendem na escola dominical: honestidade, empatia, disciplina, capacidade de postergar a gratificação pessoal e trabalho duro. Enfurecia-se com a pobreza e a injustiça, e desprezava aqueles que eram indiferentes a ambas.”

Barack construiu sua vida sobre este alicerce filosófico e emocional, intelectualmente profundo mas também inseparável de atitudes práticas e concretas.  Em suas obras, o leitor encontra passagens em que ele faz, de várias formas, uma declaração de princípios.

Não é difícil perceber que o raciocínio de Barack está baseado em uma visão ampla e universal que pode ser qualificada de claramente teosófica no sentido clássico da palavra. Ele afirma:

“... Dada a diversidade crescente da população norte-americana, os perigos do sectarismo nunca foram maiores. O que quer que já tenhamos sido, não somos mais apenas uma nação cristã; somos também uma nação judaica, muçulmana, budista, e uma nação de descrentes.”

“Mas presumamos que só tivéssemos cristãos dentro dos limites das nossas fronteiras. Que cristianismo ensinaríamos nas escolas? (....) Que passagens do Evangelho deveriam guiar nossa política pública? Deveríamos seguir o Levítico, que sugere que não há nada de errado com a escravidão e que comer moluscos é uma abominação? E quanto ao Deuteronômio, que sugere apedrejar seu filho caso ele se desvie da fé? Ou deveríamos nos limitar apenas ao Sermão da Montanha – uma passagem tão radical que é duvidoso que nosso Departamento de Defesa sobrevivesse à sua aplicação?” Definitivamente, a crença cega na letra morta deve ser abandonada.

Os princípios essenciais devem ser percebidos, e eles estão além das formas visíveis. Obama conclui propondo a opção pelo bom senso:

“O que nossa democracia deliberativa e pluralista exige é que pessoas motivadas religiosamente traduzam suas preocupações para valores universais, não determinados pela religião. Isto exige que suas propostas estejam sujeitas a discussões e abertas à razão.”

Em 2011 é possível perceber que, como presidente norte-americano, Obama não tem feito milagres visíveis.

Atuando sob o carma - isto é, dentro das limitações históricas do seu momento - ele produziu um clima internacional de bom senso e cooperação. A atmosfera paranóica e militarista dos tempos de George W. Bush foi deixada de lado. Vivemos uma era de diálogo. Obama realiza com eficácia silenciosa outras tarefas intangíveis e “invisíveis”.

É verdade que os críticos mais míopes - capazes de enxergar apenas o que é pequeno e que está imediatamente diante dos seus narizes - se comprazem em exagerar as limitações do trabalho de Obama no curto prazo do plano material e econômico. Enquanto isso, atuando como estadista e líder mundial, ele ajuda a construir as premissas éticas e as bases humanísticas da civilização do futuro.

A visita de Barack Obama ao Brasil em março de 2011 constitui, pois, um momento importante para o país sonhado por Tiradentes e realizado, até certo ponto, por José Bonifácio.

O gigante está adormecido em seu bêrço esplêndido há alguns séculos. O país do futuro - universalista como no projeto de Bonifácio - já começa lentamente a despertar. O seu despertar terá de ser ético, solidário, multirracial, intercultural, aberto ao processo planetário.

Regis Alves de Souza
www.filosofiaesoterica.com

domingo, 20 de março de 2011

MENTABILIZAÇÃO DIÁRIA PELA PAZ NO MUNDO

Durante a Segunda Guerra Mundial, Um CONSELHEIRO do Primeiro ministro Sir Winston Churchill, organizou e pediu a um grupo de pessoas para que em determinada hora, todas as noites, parassem o que estivessem fazendo, para rezar em grupo e coletivamente, pela paz e segurança do povo da Inglaterra.

Isto teve um efeito assombroso, porque o bombardeio terminou!!!. Agora, um grupo de pessoas está organizando o mesmo no Canadá, Estados Unidos e México, convidando as pessoas a rezarem durante um minuto, todas as noites, pelo país, seus habitantes e pela paz no mundo inteiro.

Una-se a esta campanha para fazer o mesmo. Paremos o que estivermos fazendo TODOS OS DIAS ÀS 8 DA NOITE E, POR UM MINUTO, peçamos PELA PAZ NO MUNDO, para que se terminem os conflitos e volte a tranquilidade a todos os lugares e às familias.

Alguem disse que, se as pessoas realmente entendessem o enorme poder da oração, nós ficaríamos assombrad@s. A oração é nosso bem mais poderoso.

Repasse esse e-mail aos seus amigos e, brevemente muitos estarão rezando pela paz mundial!!! Autor desconhecido.

Maridulce enviou esta Mensagem

ONU CONSIDERA BRASIL UM EXEMPLO PARA DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL

Em reunião preparatória para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável nesta semana, em Nova York (EUA), o secretário-geral do evento disse que o Brasil “tem mostrado ao mundo como colocar em prática o desenvolvimento sustentável”. Sha Zukang disse, que a Rio+20 – como está sendo chamado o encontro que ocorrerá no Rio de Janeiro em junho de 2012 – é “a chance de a humanidade se comprometer com a transição para uma economia verde”.

Zukang, que também exerce o cargo de subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, acredita que a conferência dará à comunidade internacional uma oportunidade única para construir um modelo de desenvolvimento econômico global destinado a melhorar a vida das pessoas e garantir a equidade social, reduzindo os riscos ambientais e a escassez ecológica.

O Brasil foi escolhido para sediar a cúpula mundial de desenvolvimento sustentável porque, nos últimos 20 anos, registrou um crescimento econômico histórico, com avanços na erradicação da pobreza e na conservação ambiental. Em 1992, o País sediou uma conferência semelhante, a Rio 92.

Em entrevista coletiva no encerramento do evento preparatório desta semana, na terça-feira (8), Sha Zukang informou que trabalhará em estreita colaboração com as autoridades brasileiras para assegurar que a Rio+20, também chamada de Cúpula da Terra, seja um sucesso.

O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, diretor-geral do Departamento de Meio Ambiente e Assuntos Especiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, participou da coletiva em Nova York e disse que a conferência será uma oportunidade para a comunidade internacional fazer um balanço dos progressos alcançados nos três pilares do desenvolvimento sustentável – crescimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental -, bem como abordar os desafios emergentes.

A terceira reunião da Comissão Preparatória da Rio+20 será realizada de 28 a 30 de maio de 2012, pouco antes da conferência, prevista para ocorrer de 4 a 6 de junho de 2012.

Perguntado sobre o que a comissão prevê como resultados da conferência, Sha Zukang disse esperar que os Estados-membros cheguem a um documento que abranja três objetivos: renovar o compromisso político para o desenvolvimento sustentável; identificar os avanços e obstáculos para atingi-lo; e enfrentar os desafios emergentes. Segundo ele, muito já tem sido feito na conservação ambiental, mas o quadro institucional para alcançar o desenvolvimento sustentável ainda permanece fragmentado.

Zukang disse, ainda, esperar mais empenho dos países participantes para assegurar o financiamento e a tecnologia necessários para a construção de uma economia verde.

gaiacentrodeestudos.com.br

BORRA DO CAFÉ BLOQUEIA POSTURA E DESENVOLVIMENTO DOS OVOS AEDES AEGYPTI


A bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências da UNESP (campus de São José do Rio Preto), durante a pesquisa da sua dissertação de mestrado, descobriu que a borra de café produz um efeito que bloqueia a postura e o
desenvolvimento dos ovos do Aedes aegypti .

O processo é extremamente simples: o mosquito pode ser combatido colocando-se borra de café nos pratinhos de coleta de água dos vasos, no prato
dos xaxins, dentro das folhas das bromélias, etc. A borra de café, que é produzida todos os dias em praticamente todas as casas tem custo zero. O único trabalho é o de colocá-la nas plantas, inclusive sendo jogada sobre o solo do jardim e quintal.

Os especialistas em saúde pública, entre eles médicos sanitaristas, estão saudando a descoberta de Alessandra, uma vez que, além da ameaça da Dengue 3, possível de acontecer devido às fortes enxurradas de início de ano, surge outra ameaça, proveniente do exterior: a da Dengue tipo 4.

Conforme explica a bióloga, 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água bloqueia o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios e reduz o tempo de vida dos mosquitos adultos.

Em seu estudo ela demonstrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonal e da reprodução, podendo ser essa a causa dos efeitos verificados sobre a larva e o inseto adulto.

A solução com cafeína pode ser feita com duas colheres de sopa de borra de café para cada meio copo de água, o que facilita o uso pela população de baixa renda e pode ser aplicada em pratos que ficam sob vasos com plantas, dentro de bromélias e sobre a terra dos vasos, jardins e hortas.

O mosquito se desenvolve até mesmo na película fina de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida dos jardins e hortas, também na água dos ralos e de outros recipientes com água parada (pneus, garrafas, latas, caixas dágua etc.).

"A borra não precisa ser diluída em água para ser usada", diz a bióloga. Pode ser colocada diretamente nos recipientes, já que a água que escorre depois de regar as plantas vai diluí-la. Ou seja: ela recomenda que a borra de café passe a ser usada, também, como um adubo ecologicamente correto.

Atualmente, o método mais usado no combate ao Aedes aegypti é o da aspersão dos inseticidas organofosforados, altamente tóxicos para homens, animais e plantas.

Téa enviou esta Mensagem
www.slideshare.net

terça-feira, 15 de março de 2011

MENTALIZAÇÃO COLETIVA PARA O FORTALECIMENTO DA TERRA

Juntos, podemos fortalecer a Terra! Nosso planeta passa por uma crise sem precedentes. Muitas catástrofes estão acontecendo. E outras virão. Jamais uma época teve tão duras provas a enfrentar. Muitas iniciativas estão sendo tomadas para amenizar a situação atual. Apesar disso, nem todas as pessoas podem fazer tudo aquilo que desejariam, pois, cada vez mais, a vida exige sérios compromissos de todos. Compromissos que, por vezes, tomam todo o tempo daqueles que gostariam de poder contribuir e ajudar a humanidade nesta época tão dramática pela qual passamos.

Para compensar a falta de tempo na qual todos estão submersos, alguns grupos espíritas e espiritualistas, como a Sociedade Espírita Ramatis e outras, tiveram a excelente ideia de sincronizar suas meditações por cinco minutos, num horário comum, que permita à maioria das pessoas se interligarem, formando uma corrente mental. Mas para que esse horário? Para que todos possam ter a oportunidade de, mesmo sem tempo, ajudar, de alguma forma. A iniciativa consiste no seguinte: todos os dias, das 23:00 h às 23:05 h, milhares de pessoas estarão enviando suas vibrações positivas ao planeta.

Não importa se você é católico, umbandista, candomblista, batista, messiânico, espírita, budista, hinduísta, agnóstico, ateu, judeu, teosofista, gnóstico, confucionista, adventista, espiritualista, etc. Enviar vibrações positivas nada mais é do que visualizar o planeta com harmonia, paz e amor, vibrando positivamente ou mentalizando o planeta sendo envolvido por energias benéficas com cores vibrantes, tais como o branco, o dourado e o violeta (que são os mais usados). Mas também podemos mentalizar o planeta e irradiar luz e paz como se estivéssemos fora do planeta.

Obs.: Se você não acredita que seja possível enviar vibrações positivas ao planeta e aos seres humanos, não precisa abster-se deste momento. Poderá aguardar o período de 23:00 h às 23:05 h para, simplesmente, refletir sobre possíveis soluções para os problemas atuais. Simbolicamente, saberá que milhares de pessoas estão fazendo o mesmo, apenas o fazem de forma diferente. O importante é a união dos pensamentos de todos, sabendo que estamos iniciando um primeiro esforço no sentido de tornarmo-nos atentos e abertos aos problemas e dificuldades que assolam nosso planeta. Horário para a vibração: De 23:00 h às 23:05 h. Todos os dias.

"A Terra não pertence ao homem; o homem é que a ela pertence. Disto nós sabemos. Todas as coisas estão interligadas, como os laços que unem uma família. O que acontecer com a Terra acontecerá conosco. O homem não teceu a teia da vida cósmica, ele é um fio da mesma. O que ele fizer para a Terra estará fazendo a si próprio". AOS QUE CREEM, PASSEM PARA SEUS CONTATOS... (Ao enviar para mais que uma pessoa use sempre o Cco ou Bcc) PS: Se quiser e puder, mande esta mensagem para o maior número de pessoas. Quanto maior o número, melhor para o Planeta. Formatação: Idalina Sousa Este texto foi carinhosamente enviado por minha Querida Amiga Stela


Mensagem enviada por Paula X/Fausto Cesare
www.slideshare.net

domingo, 13 de março de 2011

CROWDSOURCING USE A FORÇA DO COLETIVO NOS SEUS PROJETOS

O crowdsourcing é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias. O crowdsourcing é o “novo lugar da mão-de-obra barata: pessoas no dia-a-dia usando seus momentos ociosos para pesquisa e desenvolvimento”.

O crowdsourcing é uma nova e crescente ferramenta para a inovação. Utilizado adequadamente, pode gerar ideias novas, reduzir o tempo de investigação e de desenvolvimento dos projectos, diminuir nos custos, para criar uma relação direta e até uma ligação sentimental com os clientes. Utilizado indevidamente, pode produzir resultados sem interesse ou mesmo absurdos. A mente humana pode ser sábia, mas também pode ser estúpida. Dois bons exemplos de produtos obtidos através do crowdsourcing são os sistema operacional Linux e o navegador Firefox, que foram criados por um exército de voluntários ao redor do mundo.

O crowdsourcing comporta a noção de que o universo dos internautas pode fornecer informações mais exatas do que peritos individuais. A ideia é que o todo seja capaz de se auto-corrigir. Se um grande número de pessoas é capaz de corrigir os erros uns dos outros – quer estes sejam por ignorância ou preconceito – os resultados serão no global mais confiáveis do que a resposta de um indivíduo ou de um pequeno grupo. O maior exemplo desse conceito é a própria Wikipédia, que é praticamente tão precisa nas suas definições como uma enciclopédia tradicional e consideravelmente mais cómoda de usar.

Como referem Tapscott e Antony D. Williams, em Wikinomics , as novas “armas de colaboração em massa”, que têm um custo reduzido (desde as ligações Voip, software livre,…..) permitem que muitos milhares de indivíduos e pequenos produtores criem em conjunto produtos, induzam mercados e deliciem os seus clientes, o que no passado só as grandes empresas conseguiam. As pessoas agora partilham conhecimentos e recursos que lhes permitem criar uma vasta gama de bens e serviços que qualquer um pode usar e modificar.

As redes de comunicação que as escolas têm implementado, quer através da Internet, quer com o recurso dos mobiles, permitem uma conectividade constante, promovendo uma comunicação permanente entre alunos, professores, pais, gestores das escolas, parceiros, ou seja, das forças “vivas” da comunidade, em que a resolução de problemas e o ato de aprender centra-se no significado do provérbio chinês que diz ser “necessária toda a aldeia para criar cada criança”.

Em termos de educação, o que se pretende é uma escola aberta à comunidade, ao mundo, que partilhe os seus problemas, e que a solução dos mesmos resulte de uma contribuição “global”, independentemente dos atores, em que as sinergias resultem na melhor solução para a questão em debate. Resultado desta convergência tecnológica – telefone, computador – associados a esta rede global de comunicação que é a Internet, a escola deixa de ser um espaço que trata de produzir, armazenar e distribuir informação/conhecimento, assentada numa estrutura hierárquica, mas sim, na noção de que os indivíduos exteriores ao espaço físico da escola podem dar uma contribuição fundamental na análise das problemáticas em estudo.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing
http://serempresasaudavel.wordpress.com/

Beth Sarno enviou esta Mensagem

quarta-feira, 2 de março de 2011

PROMOTORES E ADVOGADOS DE JUSTIÇA NA DEFESA DOS ANIMAIS

Daniel Lourenço
Rio de Janeiro -RJ

Dra. Miriam A. Serpentino
Telefones 11-4221-8400 / 4221-3332
Santo André/SP

Dra. Denise Valente
São Paulo/SP

Dra. Cristina Greco
Santo André/SP

Dra. Sônia Rodrigues
Telefones 11-7405-1272 / 4351-5582
São Paulo/SP

PROMOTORES DE JUSTIÇA

Dr. Luciano Santana
Telefone 71-3103-6833
Salvador/BA

Dra. Vânia Tuglio
São Paulo/SP

Dr. Laerte Fernando Levai
Telefone 12-3941-8792 ramal 214
São José dos Campos/SP

Associação Brasileira Terra Verde Viva
Salvador - Bahia

Fausto Cesare enviou esta Mensagem

terça-feira, 1 de março de 2011

JOVENS ELEGEM VEGETARISMO COMO BANDEIRA POLITICA

 Iran, Athos e Rodolfo
Da esquerda para a direita têm uma banda de hardcore vegana

"Meus pais comem muita carne. Minha mãe comprava galinha e matava em casa. Aquilo mexia comigo. Um dia, fui visitar familiares no Nordeste e eles mataram um porco a marretadas! Como tinham coragem de marretar a cabeça de um bicho que era quase de estimação? Ali eu parei." Foi assim que Rodolfo Duarte, 23, gerente de restaurante em São Paulo, riscou as carnes do seu cardápio.

Mesmo sem presenciar um abate, a estudante Laura Viana, 17, chegou à mesma conclusão. "Comecei a achar que, com tantas opções de alimentos, não era necessário criar animais com o único objetivo de comê-los."

Enfrentando os preconceitos que ainda existem contra vegetarianos (seriam hippies tardios, fracotes) e a pressão dos pais (meu filho vai ficar anêmico?), um grupo crescente de jovens tem optado por não comer animais, movidos mais por questões éticas e ambientais do que de saúde (veja quadro à pág.8).

Pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing no final de 2010 contabilizou 4% de vegetarianos entre jovens de São Paulo e Rio, das classes A, B e C. Nos EUA, um em cada cinco universitários já aboliu a carne.

Segundo Johathan Safran Foer, autor de "Comer Animais", "virou um fenômeno político. Quando eles se tornarem jornalistas e políticos, o ponto de vista sobre a questão da carne vai mudar completamente", diz.

É nas redes sociais, em eventos como a Verdurada (festival de música com comidinhas sem carne), ou na base da curiosidade que os novos vegetarianos se viram.

A estudante Ana Carvalho, 15, parou de comer carne há três anos e começou a se encher de pão e doces. No fim de 2009, estava anêmica. Foi um drama.

A mãe queria porque queria que ela parasse com aquela história. E Ana concordou em voltar aos bifes. "Só por seis meses." Assim que o sangue voltou ao normal, ela -de novo- aboliu a carne.

"Agora, sigo a dieta indicada por uma médica, com soja, beterraba, cenoura e verduras. Estou ótima", diz.

Segundo o nutrólogo e hebiatra Mauro Fisberg, docente da Universidade Federal de São Paulo, "aprender com os amigos não basta; é importante procurar a ajuda de um médico ou nutricionista para uma dieta equilibrada".

"Quando parei de comer carne, parecia que eu é que era a aberração", diz Thiago Vasconcelos, 18. Nem a mãe dispunha-se a cozinhar para ele. "Eu já sabia cozinhar de forma péssima. Aí, tive de melhorar para ruim."

Muitos vegetarianos são obrigados a aprender a cozinhar, já que ainda há poucas opções nos restaurantes. Mas conforme tornam-se mais importantes na demografia, grandes indústrias passam a cobiçar o novo mercado. A Perdigão, por exemplo, já oferece produtos como salsicha e hambúrguer de soja. Outras empresas vêm com quibes e linguiças vegetais, bife de glúten e até os inacreditáveis glutadela (mortadela de glúten) e tofupiry (requeijão de tofu).

Já que essa geração de vegetarianos tem mais problemas com os maus-tratos da indústria do abate e seu ônus para o planeta do que com o gosto da carne em si, dá-lhe imitação. "Adoro os industrializados", diz Iran Pereira, 21, da banda Still Strong. É um vegetarianismo muito além das abobrinhas.

Jornal Folha de São Paulo

ONGS E MORADORES NA DEFESA DA AMAZÔNIA PERUANA

Lima, Peru - San Martín é uma das três regiões amazônicas mais desmatadas do Peru. Entretanto, ali, organizações sociais e moradores aproximaram-se das autoridades locais e regionais para defender a flora, a fauna e as fontes de água, e também para deter a depredação das florestas. Enquanto as águas dos rios secavam, foi crescendo o interesse das pessoas de San Martín, na selva central peruana, em solicitar ao Estado concessões de conservação em terrenos públicos de grande diversidade biológica.

Até agora conseguiram quatro concessões, com área total de 267.133 hectares, enquanto outras cinco solicitações aguardam resposta. A sociedade civil lançou mão de projetos de conservação privada e comunitária e de desenvolvimento sustentável, contemplados desde 2001 pela lei florestal. Nos últimos 50 anos, foram desmatados mais de 1,6 milhão de hectares das florestas primárias de San Martín, equivalente a 30% de seu território, segundo organizações não governamentais ambientalistas. Além disso, em 2010, foram registrados, em todo o país, 1.711 incêndios florestais, enquanto o número anterior era de 968 ocorrências desse tipo.

“Vivemos em uma região onde o desmatamento já apresenta a conta no acesso e na disponibilidade de bens e serviços ambientais importantes para a vida, especialmente a água”, disse ao Terramérica a representante da não governamental Associação Amazônicos pela Amazônia (Ampa), Karina Pinasco. Várias cidades da região só recebem água por duas horas por dia. A situação se agrava devido às migrações de habitantes procedentes dos Andes, aos projetos petroleiros e mineiros, e ao peso da mudança climática, explicou. “As mudanças do clima são cada vez mais extremas”, acrescentou. As épocas de secas, chuvas e “friagem” (onda de frio na selva) se intensificaram.

No Peru, são 26 concessões de conservação outorgadas pela autoridade florestal nacional e regional por prazos de até 40 anos, renováveis. Além disso, quase 994 mil hectares são protegidos sob diferentes instrumentos, uma área maior do que a do Lago Titicaca, na região de Puno, segundo a não governamental Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA). A modalidade de concessões para conservação tem maior demanda no plano nacional, com 796.208 hectares, e corresponde a áreas silvestres do Estado, onde é prioritária a preservação da biodiversidade e a manutenção de serviços ambientais.

No entanto, as leis contemplam outras formas de proteção: áreas de conservação em terras particulares, serviço ecológico (onde vários proprietários entram em acordo para desenvolver um serviço ambiental sem que o Estado intervenha) e concessões para ecoturismo. As concessões de conservação garantem “a segurança jurídica do território das comunidades e evitam a concessão de outros direitos em um mesmo lugar, o que ajuda a prevenir conflitos”, disse Karina.

As quatro concessões de San Martín protegem zonas estratégicas que contribuem para a gestão sustentável do Parque Nacional do Rio Abiseo, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade em 1990. A concessão mais extensa é a do Alto Huayabamba, nas bacias dos rios Marañón e Huallaga, que abriga páramos entre 4.670 e 1.800 metros de altitude.

O Alto Huayabamba tem 112 lagoas permanentes e outras transitórias, e espécies como o macaco-barrigudo-da-cauda-amarela (Oreonax flavicauda) e um registro material deixado pela cultura indígena chachapoya. “A bacia do Rio Huayabamba é um território importante para San Martín e a Amazônia. Suas florestas regulam a água e armazenam importantes quantidades de carbono e outros gases causadores do efeito estufa”, disse Karina.

No dia 27 de dezembro foi publicado, no diário oficial El Peruano, o decreto regional declarando a bacia do Huayabamba área restrita às atividades mineradora e petroleira, e aos assentamentos humanos. A Ampa obteve esta concessão em 2006 e já apoia outras iniciativas de moradores, como Olhos de Água, Huicungo e El Breo, com o objetivo de reduzir as pressões de outras atividades extrativistas.

Nos últimos 50 anos, a conservação era responsabilidade apenas do Estado, recordou o especialista Pedro Solano, da SPDA. “Esta modalidade em mãos de moradores organizados é uma visão interessante que permite que liderem a gestão do território”, acrescentou. No momento, cinco dos 25 governos regionais têm competência para outorgar concessões florestais. San Martín foi o primeiro a exercer esse direito e optou por projetos de conservação não ligados à madeira.

“Em San Martín existe a maior quantidade de iniciativas municipais e regionais de conservação porque as autoridades entenderam que se deve apostar nelas”, disse Pedro ao Terramérica. Autoridades e moradores de San Martín travaram uma batalha legal que foi um marco. Em 2009, o Tribunal Constitucional admitiu uma ação de amparo para proteger a Área de Conservação Regional Cordilheira Escalera, que havia sido concedida para exploração de petróleo.

“É a única sentença do Estado onde se prioriza a vida acima do investimento privado”, afirmou Karina. A Cordilheira Escalera é uma fonte de água onde nascem as bacias hidrográficas Cumbaza, Caynarachi e Shanusi, das quais dependem mais de 300 mil pessoas.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

PLANOS PROTEGEM A AMAZÔNIA

Quando o governo do Peru decidiu explorar o petróleo de um santuário da natureza na região de San Martín, a existência de um plano-diretor para administrar essa reserva a salvou de um futuro de poços e oleodutos. O caso ilustra a importância dos planos-diretores neste país dono de uma grande diversidade biológica e paisagística e de um subsolo rico em minerais e hidrocarbonos.

Entretanto, das 57 áreas naturais protegidas confirmadas apenas 35% contam com este planejamento, destinado a manejar de forma sustentável seus recursos naturais. A Área de Conservação Regional Cordilheira Escalera de San Martín alimenta as bacias dos rios Cumbaza, Cayanarachi e Shanusi, das quais dependem mais de 300 mil pessoas. Ao ver que o governo central autorizava a exploração petroleira, autoridades e habitantes de San Martín entraram com uma ação de amparo aceita em 2009 pelo Tribunal Constitucional, com o argumento da existência do plano-diretor.

Esse plano, antes aprovado pelo conselho regional de San Martín, incluía o zoneamento da terra e das atividades econômicas possíveis, e estabelecia a área onde se queria extrair o petróleo como zona intocável. “Os planos-diretores são muito importantes. O que se estabelece aí deve ser executado em termos de gestão, zoneamento e validação com os atores envolvidos”, explicou ao Terramérica a representante da não governamental Associação Amazônica pela Amazônia, Karina Pinasco.

O Peru tem, segundo dados do final de 2010, 71 áreas naturais protegidas administradas principalmente pelo Estado, 57 com categoria definitiva e 14 transitórias (não obrigadas, portanto, a terem plano-diretor até ser definida sua situação). Das áreas confirmadas, que devem contar com esse planejamento, 20 não a têm. Por quê? Elaborar “leva tempo porque exigem estar de acordo com a população. Não é o mesmo na zona costeira e na Amazônia, onde devem ser considerados os usos e costumes dos habitantes” nativos, disse ao Terramérica o diretor de Desenvolvimento Estratégico do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp), Jeff Pradel.

O serviço que Jeff dirige existe há apenas dois anos, quando foi criado o Ministério do Meio Ambiente. Para fazer um plano, são necessárias reuniões de informação com a população local, que deve validar o processo. Nas 20 áreas protegidas que ainda não o têm, há planos operacionais anuais que servem de diretriz para as ações, explicou Jeff. Além disso, o decreto supremo 003-2011 estabeleceu que o expediente de criação e zoneamento das novas áreas constitui um plano-diretor preliminar.

Nos objetivos de médio prazo traçados pelo Centro Nacional de Planejamento Estratégico a proposta é chegar a 2021 com 80% das áreas protegidas com planos-diretores, uma das metas para o bicentenário da independência que será comemorado nesse ano. Contudo, há outros problemas, como o custo de cada plano, que varia entre US$ 5 mil e US$ 20 mil, a burocracia e uma visão “pretensiosa” desta ferramenta, afirmou o especialista Pedro Solano, da não governamental Sociedade Peruana de Direito Ambiental.

“São superdimensionados e se pretende que reúnam aspectos que muitas vezes não podem ser cumpridos, estende-se o processo até três anos e acabamos ficando na fase de planejamento e executamos muito pouco por falta de tempo e recursos”, disse Pedro ao Terramérica. Como requer uma atualização a cada cinco anos, o planejamento deve ser mais simples e vinculado à realidade, acrescentou. Entretanto, continuam crescendo na selva peruana os projetos de mineração e de hidrocarbonos. Mais de 70% do território amazônico está coberto de concessões petroleiras.

O ordenamento territorial, coração do plano-diretor, permitiria priorizar legalmente a proteção das áreas de selva ricas em biodiversidade. Assim, “uma zona qualificada como silvestre ou de proteção rígida determina que ali não será permitida nenhuma infraestrutura”, explicou Pedro. Em sua opinião, a melhor estratégia é conseguir que a população e as autoridades assumam as áreas naturais como patrimônio a serem geridos para benefício de todos. “Devem ser sinônimo de educação ambiental, turismo, orgulho, e não serem vistas apenas como um lugar de proibição, mas de fazer coisas”, acrescentou.

Embora o Sernanp esteja melhorando, falta colocar em prática modelos de gestão interessantes, como os projetos de conservação privada e comunitária impulsionados pela sociedade civil. No Peru, são 28 áreas de conservação privada, dez elaboraram seu plano-diretor e sete estão em processo de elaboração, disse Jeff.

Segundo Pedro, se for reconhecido o valor destas áreas, as decisões que priorizam atividades extrativistas podem ser neutralizadas, como ocorreu na Serra do Divisor, uma área reservada nas regiões Ucayali e Loreto, Nordeste do país, que tem importante função de captar água e abriga, por exemplo, mais de 12 espécies de macacos. Apesar de ser necessária a consulta ao Sernanp antes de ser autorizada uma atividade econômica ali, o Ministério de Minas e Energia expediu autorizações de exploração petrolífera, interpretando que a consulta deve ser feita apenas antes da prospecção. “Costuma-se contornar as leis”, concluiu Pedro.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

CONSUMO AFETA A MAIOR FLORESTA TROPICAL DO MUNDO

Na Amazônia brasileira, cabeças de gado pastam na terra que já foi floresta tropical Será lançado, nesta quarta, no seminário “Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia” o segundo estudo “Quem se beneficia com a destruição da floresta”. A investigação traz exemplos de atores que produzem gado de corte, soja e madeira envolvidos com o desmatamento ilegal e o trabalho escravo que se conectam a outros, indústrias ou tradings, até chegar a varejistas que operam na capital paulista. Dessa forma, grandes empresas baseadas em São Paulo, e seus clientes, acabam financiando, mesmo sem saber, cadeias produtivas insustentáveis. Como sou um dos coordenadores da investigação, trago um dos casos relatados. Mas antes um pouco de necessário blá-blá-blá.

O objetivo principal da investigação é alertar as empresas e os consumidores sobre a importância de adotar modelos de negócios que não financiem a exploração predatória dos recursos naturais, a degradação de trabalhadores ou que cause danos às populações tradicionais. É possível produzir na Amazônia sem devastá-la. Obter alimentos e móveis de forma sustentável, com respeito ao meio e às comunidades que dele dependem.

Povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos agricultores estão no topo da lista dos que saem perdendo. No entanto, essa relação é ainda mais longa, uma vez que não só o Brasil, mas o planeta inteiro é afetado pela exploração inconseqüente dos recursos naturais, já que a floresta em pé é decisiva para a manutenção da qualidade de vida de milhões de pessoas. Entre outras funções vitais, ela regula o regime de chuvas e a temperatura média de uma extensa área do globo.

A responsabilidade social empresarial deve ser exercida em sua plenitude e não apenas em ações de marketing social ou de filantropia. O consumidor precisa urgentemente ser educado e se educar para não comprar, sob nenhuma condição, produtos que tenham crimes ambientais e trabalhistas em sua cadeia de produção. O governo precisa tornar eficiente sua capacidade de fiscalização, educação e repressão às ações criminosas. O pode judiciário deve se agilizar e fazer o que for necessário para evitar que um processo por destruição ambiental ou por trabalho escravo se arraste por anos. Os agentes financiadores, públicos e privados, não podem mais injetar recursos em processos predatórios, seja através de compras públicas ou de financiamento à produção.

O ato da compra é um ato político poderoso. Através dele damos um voto de confiança para a forma pela qual determinada mercadoria é produzida. Um exercício democrático que não é exercido apenas a cada quatro anos, mas no nosso dia-a-dia. E que pode ditar o destino da maior floresta tropical do mundo e de sua gente. Ou seja, também cabe a cada um de nós, paulistanos, decidir o futuro da Amazônia.

O formato do estudo, tocado pela Repórter Brasil e a Papel Social Comunicação, é multimídia e livre para navegar como quiser. Esse é o novo modelo de divulgação de estudos e pesquisas que vem sendo adotado por organizações sociais na Europa e nos EUA. Não polui, circula mais, é acessível ao público (que vai consumir a informação e não guardá-la no armário ou usá-lo como anteparo para o monitor) e não é (tão) chato,

Exemplo de caso:
A madeira duvidosa dos prédios de luxo

O problema:
Um prédio de luxo da capital paulista – que tem a Tecnisa e a Stuhlberger como investidoras e a SKR como construtora responsável pela obra – utilizou madeira comercializada pela Sulmap. A empresa está envolvida em diversos ilícitos ambientais e sociais, como uso de planos de manejo irregulares e exploração ilegal de toras em terra indígena.

O caso:
A Sulmap é controlada pelo Grupo Sincol, uma das maiores companhias do setor madeireiro no país. A corporação conta com 1,7 mil funcionários e produz principalmente portas e esquadrias, abastecendo o mercado nacional e exportando para América do Norte, União Européia e Oriente Médio. Também possui marcas próprias de portas, como Silentia, Sinkit, Indoor e Corta Fogo. O Grupo Sincol detém o selo da Forest Stewardship Council (FSC), a mais conhecida certificadora de madeira do planeta. Possui tanto áreas de manejo quanto produtos certificados, mas que não se aplicam à Sulmap. Porém, em acordo com as diretrizes do FSC, o grupo “reconhece que deverá ter uma mesma política em todas as unidades de manejo sob sua administração, mesmo aquelas que não estão abrangidas no escopo do certificado”.

Apesar de ter assumido esses compromissos ambientais, a madeireira Sulmap é acusada pelo Ministério Público Federal de envolvimento em grilagem de terras, uso de planos de manejo ilícitos e invasão de terra indígena em Colniza (MT). O local é palco de violentos conflitos fundiários e a madeireira é acusada de incentivar atividades de associação de agricultores para expulsar os índios do território. A Sulmap consta da lista de embargos do Ibama. Desde 2006, o órgão interditou a exploração de uma área equivalente a 753 campos de futebol no município de Vera (MT) por conta de desmatamento de vegetação amazônica nativa em área de reserva legal.

Em 2009, a Sulmap forneceu produtos beneficiados de madeira para a construção de um prédio de luxo – o Sollo Vila Romana – localizado na Vila Romana, bairro nobre de São Paulo (SP). A incorporação do edifício é de responsabilidade da Fábia Empreendimento Imobiliário, uma sociedade de propósito específico com capital das construtoras Stuhlberger e Tecnisa. A obra é tocada pela SKR Engenharia.

O que dizem as empresas:
A assessoria de comunicação da Tecnisa afirmou que a empresa não tem responsabilidade sobre as obras do Sollo Vila Romana, pois a participação da construtora estaria restrita “à parte de investimento de capital”.

Assim como a Tecnisa, a direção da Stuhlberger também afirmou que “tem sua participação na Fábia Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda como investidora” apenas.

Já o engenheiro da SKR responsável pela obra do Sollo Vila Romana emitiu nota manifestando “surpresa” e “desconhecimento” sobre os problemas socioambientais relacionados à Sulmap. O funcionário da empresa também afirmou que os produtos de madeira adquiridos para a obra teriam sido acompanhados das devidas notas fiscais e guias florestais. “Acreditamos desta forma, que cumprimos todas as formalidades legais necessárias para evitar a compra de madeira ilegal (tendo em vista todos os documentos apresentados)”.

Leonardo Sakamoto é jornalista, doutor em Ciência Política e coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Envolverde

CIÊNCIA PARA A BIODIVERSIDADE INFRAESTRUTURA BIOLÓGICA DO PLANETA


Após cinco anos de preparações, será formalmente lançada este ano a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES). Para alguns de seus defensores, até as decisões da OMC deveriam passar por sua análise. A IPBES funcionará de maneira análoga ao Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC), mas dedicada à biodiversidade.

A ideia que guia este esforço é a de que as decisões tomadas em todas as hierarquias de governos são as responsáveis primordiais pela redução de espécies e ecossistemas que mantêm a vida na terra. Para isto, os governos necessitam de um órgão científico independente e rigoroso, que possa avaliar o impacto de suas políticas e decisões. “As pessoas não costumam apreciar a importância da biodiversidade nem o quanto está em jogo com sua perda”, disse ao Terramérica o professor de Economia Ambiental da norte-americana Arizona State University, Charles Perrings.

“Biodiversidade” é o termo usado para descrever a ampla variedade de seres vivos que formam a infraestrutura biológica do planeta e nos fornecem saúde, riqueza, alimentos, água, combustível e outros serviços vitais. Informes como a Perspectiva Mundial sobre a Diversidade Biológica 3, divulgada no ano passado, documentam como certas políticas e o descumprimento das leis colocam em risco esta infraestrutura biológica. Muitas pessoas não compreendem até que ponto a humanidade depende destes serviços e a velocidade com que estão mudando a biodiversidade, alertou Charles.

“As decisões que alteram a biosfera têm hoje profundas implicações para o bem-estar da humanidade. E devem ser bem informadas pela ciência”, acrescentou o professor. Em sua opinião, “as propostas defendidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) deveriam ser avaliadas quanto às suas consequências sobre o hábitat ou á sua capacidade de provocar uma dispersão maior de espécies pelo planeta, agravando o problema das espécies invasoras”.

A atual Rodada de Doha da OMC para desmantelar os subsídios agropecuários deveria ser analisada quanto aos seus possíveis impactos na biodiversidade, ressaltou Charles. “As consequências das mudanças nas políticas agrícolas estarão entre as primeiras coisas que queremos salvar”, afirmou. A IPBES dará a quem toma decisões projeções rigorosas dos efeitos de suas políticas, declarou Connie Martínez, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), na cidade suíça de Gland.

“Os funcionários de todos os ministérios necessitam de melhor compreensão de como o desenvolvimento econômico pode ter impacto na biodiversidade”, disse Connie ao Terramérica. Por isso, a IPBES não se limitará a informar aos ministros de Meio Ambiente. Também vai monitorar todas as decisões políticas que possam afetar os ecossistemas, acrescentou Charles, que trabalhou durante anos para criar esta organização.

Além disto, há uma necessidade urgente de entender as consequências de transformações velozes ocorridas na biodiversidade nas últimas décadas. O rumo das energias renováveis, com a produção de agrocombustíveis, foi traçado sem analisar seus consideráveis impactos sobre a diversidade biológica, afirmou Harold Mooney, da Stanford University e coautor, com Charles, de um informe sobre a IPBES publicado no dia 18 deste mês, na revista científica Science.

“O objetivo da IPBES é fazer com que a conexão ciência-política funcione melhor para informar os que tomam decisões”, disse Harold ao Terramérica. A IPBES não vai promover uma ou outra política, mas fornecer a melhor informação científica possível sobre os efeitos que uma ou outra possa ter, ressaltou. E não se trata apenas de conservação: os ecossistemas naturais fornecem um amplo espectro de serviços econômicos à comunidade, disse seu artigo na Science.

Por exemplo, as florestas e os pântanos previnem inundações. Um hectare de arrecife de coral proporciona, em média, serviços avaliados em US$ 130 mil por ano, que podem chegar a até US$ 1,2 milhão em alguns lugares. O plantio de mangues ao longo da faixa costeira do Vietnã custou US$ 1,1 milhão, e permitiu economizar US$ 7,3 milhões com a manutenção de diques.

Em seu ano de nascimento, a IPBES ainda não sai do berço. Apesar de 93 países terem concordado com sua criação, não possui orçamento, nem sede, nem pessoal, e existe apenas um vago esquema sobre como poderia funcionar. Supõe-se que, como o IPCC, se dedicará a revisar de forma exaustiva os resultados das pesquisas mundiais em matéria de biodiversidade e, a partir deles, traçar projeções e cenários e fazer recomendações.

O Conselho Governante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), integrado pelos ministros de meio ambiente, reuniu-se entre 21 e 24 deste mês no Quênia para aprovar a primeira conferência plenária da IPBES. Nesse plenário, previsto para outubro, serão decididos orçamento, sede, organização e estrutura operacional. Coreia do Sul e Quênia se apresentaram para hospedar a nova entidade.

A União Europeia reclamou que comece a funcionar o quanto antes para demonstrar que “a comunidade internacional está decidida a abordar o grande desafio da perda de biodiversidade”, diz um comunicado da delegação do bloco do Quênia. Para que tenha êxito, é preciso uma significativa participação da sociedade civil, lembrou Connie. Por exemplo, os povos indígenas são fundamentais para a conservação e o uso sustentável da natureza, afirmou. A sociedade civil terá um papel importante, admitiu Charles. Porém, como ocorre com o IPCC, somente os governos poderão votar, afirmou.

A IPBES pretende ser um órgão independente do Pnuma ou do Convênio das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, disse Nick Nuttall, porta-voz da agência ambiental. Quanto a evitar algumas das controvérsias menores que ofuscaram as conclusões do IPCC em matéria de mudança climática, Nick afirmou ao Terramérica que a IPBES se beneficiará dessa experiência e garantirá “o máximo rigor científico”. Para Charles, com um pouco de sorte, a IPBES estará funcionando no começo de 2012.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.