sexta-feira, 26 de abril de 2013

ÚLTIMAS MENSAGENS POSTADAS 15 04 2013

INDIGENAS LÍDER BRASILEIRO GANHA PRÊMIO HERÓI DA DA ONU
PERSONALIDADE LEONARDO BOFF SUSTENTABILIDADE NA EDUCAÇÃO
AGUA MAR INSTITUTO NACIONAL DOS MARES
AGUA OCEANO ÍNDIGO CONTINENTE ABAIXO DO OCEANO
AGUA OCEANOS LIMPAR PLÁSTICO EM 5 ANOS
AGUA OCEANOS NASA VAI MEDIR NÍVEL DE SALINIDADE
AGUA OCEANOS APELO GLOBAL PROTEÇÃO DOS OCEANOS
AGUA OCEANOS MONITORAMENTO DO OCEANO ATLÂNTICO
AGUA RIOS SUBTERRÂNEOS NO CHÃO DOS OCEANOS
AGUA UNIVERSO ESTRELA EXPELE ÁGUA
AGUA VIIRTUAL DO NOSSO DIA A DIA
AGUA VIIRTUAL AUMENTA ALERTA SOBRE ESCASSEZ
ALIMENTOS MANDIOCA VIRA COPINHOS [BIOPLÁSTICO]
AMAZONIA RIO AMAZONAS TEM 11 MILHÕES DE ANOS
ANIMAIS ABELHAS TÊM CAPACIDADE DE ELABORAR DEDUÇÕES
ANIMAIS CAVALO CARRINHO ELÉTRICO SUBSTITUI CARROÇAS
ANIMAIS FORMIGAS VERMELHAS PODE AJUDAR PREVER TERREMOTOS
CIDADANIA AVAAZ PETIÇÃO MONSANTO vs MÃE TERRA
CIDADANIA VALE DO SILÍCIO FLUTUANTE TECNOLOGIA SUPRANACIONAL
ECOLOGIA ROUPA TECIDO GERA ENERGIA A PARTIR DO SOL
ECOLOGIA NATUREZA ENERGIA GERADA DE MOVIMENTOS .. BATERIAS
FLORESTAS GERAM US$ 468 BILHÕES POR ANO PARA ECONOMIA GLOBAL
GARRAFAS PET DO FUTURO SERÃO FEITAS COM PLANTAS
GARRAFAS PET MATERIAL COMPÓSITO DE FIBRA DE SISAL PET RECICLADO
GARRAFAS PET MURO FEITO COM 4500 PLASTICOS RECICLADOS
GARRAFAS PET ROUPA JEANS TECIDO FEITO COM PLÁSTICO RECICLADO
GARRAFAS PET TALHERES FEITOS DE PLÁSTICOS RECICLADOS
GARRAFAS PET TELHADOS DE CASA FEITO COM PLÁSTICOS RECICLADOS
GARRAFAS PET VIRAM VASSOURAS ECOLÓGICAS
MATERIAL RECICLADO RESIDUO TINTA ECOLÓGICA EMBAIXADOR AMBIENTAL
MEIO AMBIENTE PREDIO EDIFÍCIO USA CALOR CORPORAL COMO AQUECEDOR

http://www.youtube.com/watch?v=BLqxRmw942M
http://www.youtube.com:80/watch?v=yS5cfNtNxAM
http://www.youtube.com/watch?v=VDzDecm3nDY

segunda-feira, 15 de abril de 2013

LEONARDO BOFF SUSTENTABILIDADE NA REINVENÇÃO DA EDUCAÇÃO

Acesse o site do palestrante e conheça um pouco mais
sobre suas obras e pensamentos! www.leonardoboff.com

O filósofo e teólogo Leonardo Boff é um dos grandes destaques da Educar 2013. Com o tema “Sustentabilidade na Reinvenção da Educação na Visão de Um Apaixonado Pelo Criador e Pela Criatura”, Boff irá abordar questões referentes ao meio ambiente a importância da humanidade zelar pelo seu planeta. Como esse debate pode e deve fazer parte da escola? Para responder essa e outras dúvidas conversamos com o palestrante, ele concedeu ENTREVISTA EXCLUSIVA para a equipe do evento. Confira!

Qual é a realidade da educação brasileira com relação ao debate sobre o meio ambiente dentro da escola? E qual é o incentivo que os alunos recebem para que tenham atitudes que prezem pela sustentabilidade? Mais e mais as escolas estão despertando para temáticas ligadas à ecologia. A consciência geral na sociedade é muito insuficiente e mesmo no governo, que trata esta questão como uma externalidade, vale dizer, que pode ser sacrificado em nome do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do progresso imediato. É importante descolar o conceito de sustentabilidade daquele do desenvolvimento. Pois o tipo de desenvolvimento que temos supõe a dominação da natureza e a acumulação ilimitada. Isso é totalmente insustentável. Desenvolvimento sustentável significa atingir um crescimento econômico que seja amplamente compartilhado pela sociedade e que proteja os bens e serviços vitais do planeta. Sustentabilidade é permitir que todos os seres sejam vistos como tendo um valor em si, independentemente do uso humano, zelar para que continuem a existir e que possam ser passados às futuras gerações enriquecidos. A educação supõe transmitir um novo olhar para com a natureza e para com a Terra. Esta é mãe que nos dá tudo o que precisamos. Nossa missão é cuidar dela. Isso implica cuidar de seu sangue que é a água para que seja limpa, de sua pele que é a mancha verde, de sua respiração que é o ar que não pode ser poluído, dos solos onde vivem quintilhões de quintilhões de micro-organismos para que não sejam destruídos pelos agrotóxicos, etc.

O título de sua palestra afirma que a visão a ser apresentada sobre a “Sustentabilidade na Reinvenção da Educação” será a partir dos olhos de um “apaixonado pelo criador e pela criatura”. O senhor poderia explicar em outras palavras esta afirmação? Ninguém se engaja pelas questões ecológicas que tem a ver com a vida, com a mãe Terra e com o futuro de nossa civilização se não for tomado pela paixão de amar, cuidar, proteger e defender essa herança sagrada que o universo ou Deus nos legaram. Não basta a razão. Ela é fria e calculista. Precisamos de coração e de afeto. Quer dizer, precisamos resgatar a razão cordial e sensível que é a sede dos valores, da ética e da espiritualidade. Ver em cada criatura a marca registrada de Deus, descobrir as mensagens que cada criatura nos quer transmitir, essa é a singularidade do ser humano, portador de consciência e de inteligência. Esta atitude de encantamento e de respeito diante de cada ser, por insignificante que possa parecer, é urgente hoje, pois maltratamos a natureza e tiramos mais dela do que ela pode repor. Esta estratégia é irresponsável e hostil à vida.

Os professores estão preparados para trabalhar com os alunos questões sobre sustentabilidade? Ninguém está preparado porque no processo de formação dos docentes não havia ainda a preocupação ecológica. Ela surgiu mundialmente só a partir dos anos 70 quando se deu o primeiro alarme ecológico com a detectação dos limites da Terra que obrigava a propor limites ao crescimento. Hoje não temos alternativa: ou nos preparamos para um novo modo de habitar o planeta, convivendo com seus limites e com as possibilidades reduzidas dos ecossistemas ou então não teremos futuro. Já construímos uma máquina de morte que nos pode eliminar a todos e agravar profundamente o sistema-vida. Então importa que todos os saberes sejam ecologizados, quer dizer, deem a sua colaboração no sentido de limitar nosso consumismo, respeitar a capacidade de suporte dos ecossistemas e viver uma sobriedade compartilhada. Se respeitarmos a dinâmica na natureza, ela nos dará tudo o que precisamos. Mas precisamos escutar a natureza e conhecer seus mecanismos.

Qual o papel dos pais para que os jovens e as crianças tenham atitudes responsáveis com relação ao meio ambiente e que isto não seja apenas um incentivo da escola? A família é fundamental para uma educação ecológica. Pois é na família que os filhos e filhas aprendem os hábitos de cuidar do lixo, da água, das plantas, de não queimar nada, de reduzir o consumo, de reusar e reciclar. Porém, mais do que tudo: é na família que se aprende a ter limites, tarefa principal dos pais. Precisamos hoje de limites na exploração da natureza, limites no consumo, limites nas relações sociais. Devemos buscar a justa medida em todas as coisas. A justa medida é o meio termo entre o mais e o menos, mas aquilo que nos satisfaz e deixa espaço para os outros. No fundo devemos aprender a ser responsáveis por tudo. Isto significa darmo-nos conta das consequências de nossos atos e de nossas palavras para que sejam construtivos e não destrutivos, para que favoreçam a continuidade da natureza, da vida e de nossa civilização. Se não tivermos responsabilidade poderemos conhecer os caminhos já percorridos pelos dinossauros que despareceram após uma grande catástrofe ecológica.

Como a tecnologia pode estar inserida neste contexto? E como ela pode ser utilizada como uma ferramenta que incentive a sustentabilidade? Grande parte da tecnologia hoje não se orienta pela melhoria da vida, mas para o aumento dos lucros no mercado. Tudo virou commodities, tudo virou mercadoria com a qual se pode fazer dinheiro. 70% da tecnologia atual é tecnologia para fins militares. Podemos destruir toda a vida na Terra por 25 formas diferentes. Então devemos perder o fascínio pela tecnologia. Ela pode ser a grande arma de destruição coletiva. Mas ela pode nos ajudar a curar as chagas da Terra, prolongar a vida humana, tornar mais leve o fardo da existência e facilitar a comunicação entre todos. Mas ela nunca substitui a pessoa humana. Um computador ou um Ipad não estende um braço virtual e nos enxuga uma lágrima ou nos coloca a mão ao ombro para nos dar força. O ser humano solidário e amigo de outro ser humano pode. Hoje, foram desenvolvidas tecnologias que agridem menos a natureza e assim favorecem uma perspectiva ecológica. Mas o que precisamos mesmo não é de novas tecnologias, mas um novo paradigma, vale dizer, uma forma nova de nos relacionar com a Terra e a natureza de tal modo que entremos em sinergia com elas. E aí sim usaremos as tecnologias que nos ajudarão na preservação dos bens e serviços escassos da Terra.

Qual a importância em levar este debate para um grande evento, como a Educar? Hoje encostamos nos limites da Terra. O aquecimento global é a forma como a Terra, superorganismo vivo (chamado Gaia) revela seu estado doentio. Daí se entende os eventos extremos de secas e enchentes, nevascas de grande magnitude e tufões devastadores. O próprio Governo americano, que sempre relutava em aceitar esse fenômeno porque atrapalhava os negócios das grandes corporações, hoje trata o aquecimento global como uma questão de segurança nacional. A educação deve introduzir os estudantes para essa nova fase da Terra e da humanidade. Se nada fizermos poderemos chegar tarde demais e seguir um caminho que nos conduz a um abismo sem volta. Não dá para seguir com uma educação alienada da situação global da Terra e da vida. Não seria responsável e nem estaria à altura dos desafios atuais. Agora não temos uma arca de Noé que salve alguns e deixa perecer os demais. Ou nos salvamos todos ou pereceremos todos. Por isso a importância dos valores do cuidado, do respeito pela vida, da responsabilidade por tudo o que fazemos em termos dos bens essenciais à vida, como água, fibras, solos, ar, alimentos etc. Esse debate deve ser levado aos estudantes para que sejam ativos e não passivos diante da gravidade da situação geral do planeta.

Crédito da Entrevista: jornalista Patricia Melo – Presença Comunicação Educacional

Eliana Macedo Lozano cadastrada em nossa página no Facebook

domingo, 14 de abril de 2013

ABELHAS TÊM CAPACIDADE DE ELABORAR DEDUÇÕES


Apesar do cérebro extremamente pequeno, as abelhas são inteligentes o suficiente para escolher as flores com o néctar mais saboroso, a partir de dedução e pensamento lógico.

Cientistas da Queen Mary, Universidade de Londres (Inglaterra) descobriram que as abelhas observam e copiam umas as outras para descobrir quais são as flores com o néctar mais doce, ou seja, o que fornece mais energia.

A maior parte das abelhas operárias visitam milhares de flores todos os dias em busca de néctar. Elas observam as cores das flores que suas companheiras preferem, e copiam seu comportamento. Isso pode ser um atalho para o sucesso, pois descarta a desgastante tarefa de explorar cada flor para ver se ela tem alimento.

Em um experimento realizado em laboratório, pesquisadores criaram um espaço com diversas flores artificiais coloridas. As abelhas foram treinadas para saber em que flores elas encontrariam açúcar. Em seguida, abelhas observaram suas companheiras por uma tela e escolheram as mesmas flores, ignorando as restantes, de cores diferentes.

“Nosso estudo mostra como as abelhas usam associações passadas para tomar decisões sobre quando copiar os outros. Quase todos os animais, incluindo os seres humanos, também são capazes de fazer esse tipo de associação. Isso sugere que outras espécies, e não apenas as abelhas, podem também usar esse processo lógico para aprender com outros”, disse Erika Dawson, estudante da Universidade de Londres.

O psicólogo russo Ivan Pavlov se tornou famoso no início do século XX após descobrir que os cães podem ser condicionados a salivar ao som de um sino, por ele ser associado à hora em que os animais comem. Os pesquisadores acreditam que as abelhas podem seguir uma lógica semelhante.

LiveScience/Health24

ESTRELA EXPELE ÁGUA

Quando pesquisadores procuram sinais de vida em outras partes do universo, eles normalmente começam os estudos procurando por um elemento fundamental para a vida da maneira como a conhecemos: a água. E a apenas 750 anos-luz de distância, eles encontraram o líquido em uma estrela, expelindo-o para o espaço interestelar a 199 mil quilômetros por hora.

Essa descoberta é importante em várias escalas. Ela indica que em todo o universo estrelas jovens podem ser grandes distribuidoras de água, podendo semear a vida em outros planetas. Com isso, é possível avançar os estudos sobre o nosso próprio sol. A água pode ter desempenhado um importante papel em sua formação e, consequentemente, em nosso planeta.

Segundo os pesquisadores, a quantidade de água ejetada da estrela é igual à quantidade de água que flui do rio Amazonas a cada segundo. Os astrônomos acreditam que a fase em que a estrela expele água é curta, e pode ser que todas as estrelas passem por isso em alguma fase de sua formação.

Se isso realmente for verdade, pode haver água espalhada por todo o universo.

POPSCI

RIOS SUBTERRÂNEOS NO CHÃO DOS OCEANOS

Os rios nem sempre estão aonde você pode enxergá-los. Um “rio submarino” foi descoberto no leito de um oceano ao largo sudoeste da Austrália.

Não é a primeira vez que tal fenômeno é observado, mas os pesquisadores afirmam que o fato desses rios terem sido vislumbrados em águas mornas é inédito.

O rio submarino australiano foi descoberto por robôs marítimos equipados com sensores para detectar temperatura da água, salinidade, produtividade do plâncton, turbidez e oxigênio dissolvido.

Os rios subterrâneos já foram descobertos em diferentes pontos ao redor do globo. No Mar Negro, os pesquisadores descobriram um rio debaixo d’água, que é bem mais profundo e fica no leito marinho.

“Essas cascatas de água densa são comuns em regiões de alta latitude, como resultado da formação de gelo. Essa é a primeira vez que esses processos são descobertos em regiões subtropicais, que ficam presentes durante todo o ano”, afirmou Chari Pattiaratchi.

O fenômeno submarino – camadas de água densa que se arrastam pelo chão do oceano a uma taxa de cerca de 1 quilômetro por dia – tem cerca de 20 metros de espessura e se estende por mais de 100 quilômetros.

Segundo Pattiaratchi, a evaporação da água durante o verão, seguido do resfriamento durante o inverno é o que alimenta a formação do rio, levando à reunião de água de alta densidade na costa que, em seguida, flui em alto mar em rios lentos.

OurAmazingPlanet

NASA VAI MEDIR NÍVEL DE SALINIDADE DOS OCEANOS

A NASA irá lançar, em junho, um novo satélite que não irá se ocupar com o espaço, mas sim será um observatório para estudar as relações entre a quantidade de sal dos oceanos terrestres e o clima do planeta.

A missão Aquarius/SAC-D medirá os níveis de sal da superfície do oceano e suas interações com o ciclo da água e outras funções que influenciam o clima. “Será um grande passo para a oceanografia”, disse o cientista Eric Lindstrom, da NASA. “Nós temos, no departamento de ciência da Terra, 13 missões em órbita atualmente. Uma peça chave a ser estudada é a salinidade. Ela determina a densidade da superfície da água e suas variações e os ventos que comandam a circulação dos oceanos”.

A missão custou US$ 287 milhões e será lançada dia 9 de junho da base Aeronáutica Vandenberg na costa da Califórnia, EUA. Sua órbita estará a 657 quilômetros da Terra, e o satélite medirá constantemente a concentração de sal dissolvida na superfície do oceano, em faixas de até 400 quilômetros.

A cada semana, o satélite recolherá dados suficientes para compilar um mapa da salinidade oceânica. Essas observações serão úteis para revelar como a salinidade muda com o tempo e de um lugar para outro. Outra medição será a dos ventos na superfície dos oceanos em toda superfície terrestre. “Medir os ventos é importante para corrigir as concentrações nas medições de sal”, disse o pesquisador Gary Lagerloef.

O equipamento usará aparelhos de medição de microondas altamente precisos para detectar as emissões na superfície do oceano. Essas emissões são moduladas, ou mudam, de acordo com a condutividade elétrica da água, que é influenciada pela quantidade de sal. Estudando as variações de salinidade, a missão irá monitorar as mudanças no ciclo da água, causadas por evaporação e precipitações sobre o oceano.

“A salinidade é a cola que une dois componentes importantes do clima do nosso planeta: a circulação do oceano e o ciclo global da água. As medições serão realizadas com muitos detalhes, levando a novas descobertas que irão melhorar nossas condições de prever o clima”, disse Lagerloef.

A missão deve durar no mínimo três anos e é uma colaboração da NASA com a agência espacial argentina Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE). Além dos “hermanos”, o projeto conta com a participação do Canadá, da França, Itália e do Brasil.

OurAmazingPlanet

INSTITUTO NACIONAL DOS MARES

O projeto de criar no Brasil o primeiro centro nacional voltado à oceanografia deve sair do papel até o fim do primeiro semestre deste ano, de acordo com Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI).

O climatologista disse ao G1, na última semana, que a proposta, apresentada no ano passado, tramita atualmente por ministérios, como o da Casa Civil. “É uma questão de semanas ou de alguns meses. Já está na fase final”, disse.

O novo instituto dos mares deve receber investimento de R$ 150 milhões nos primeiros quatro anos, montante que será destinado à construção das novas instalações e também para operacionalização dos centros.

Nobre explica que o novo órgão de pesquisa – que funcionará de forma parecida com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe – terá sedes espalhadas pelo litoral brasileiro, mas sua sede principal ficará em Brasília. Ele não especificou quantas unidades seriam, nem quais cidades receberiam um dos centros.

“O Brasil ainda não tem um órgão nacional de pesquisas oceânicas, sendo que elas ficam concentradas apenas no sistema universitário. A intenção é que o centro coordene o que já é feito dentro das universidades”.

Apoio de navios – Com foco no Oceano Atlântico Sul, a nova instituição poderá contar com a atual frota de navios oceanográficos que são utilizados pela Marinha e por outras universidades.

Entre eles estão as duas embarcações que auxiliam as operações cientificas e militares do Brasil na Antártica – os navios Almirante Maximiano e Ary Rongel – além do Alpha Crucis, que entrou em operação no ano passado e foi adquirido por US$ 11 milhões em parceria da Universidade de São Paulo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Pesquisas já desenvolvidas – O novo centro deverá concentrar diferentes áreas de investigação científica. Dados sobre o impacto da exploração do petróleo das camadas de pré-sal no oceano, por exemplo, deverão ser trabalhados por cientistas envolvidos com o novo órgão.

Além disso, também serão priorizadas informações sobre a perda de recifes de corais no país, um fenômeno que tem sido estudado e assusta os cientistas devido à sua velocidade.

De acordo com uma pesquisa, nos últimos 50 anos o país perdeu cerca de 80% desse ecossistema devido à extração e à poluição doméstica e industrial. O restante existente está ameaçado pelos efeitos das mudanças climáticas.

Outro foco importante será buscar mais detalhes sobre a meio-fauna, um ecossistema formado por organismos menores que um milímetro que vivem no ambiente marinho.

Impossíveis de serem vistos a olho nu e inofensivos a humanos, eles podem ser grandes colaboradores na manutenção da qualidade da água e na indicação de problemas ambientais, como a poluição de ambientes marinhos.

Globo Natureza

CONTINENTE ABAIXO DO OCEANO ÍNDICO

Novo estudo sugere que os remanescentes submersos de um microcontinente ancestral podem estar distribuídos sob as águas entre Madagascar e Índia.

Evidências para a terra há muito perdida vêm de Maurício, uma ilha vulcânica que fica aproximadamente900 kma leste de Madagascar. Os basaltos mais antigos da ilha são de aproximadamente 8,9 milhões de anos atrás, declara Bjørn Jamtveit, geólogo da Universidade de Oslo. Mas análises grão a grão da areia de praia que Jamtveit e seus colegas coletaram em dois locais da costa de Mauricio revelaram aproximadamente 20 zircões – minúsculos cristais de silicato de zircônio extremamente resistentes – muito mais antigos.

Os zircões tinham se cristalizado dentro de granitos ou outras rochas ígneas há pelo menos 660 milhões de anos, observa Jamtveit. Um desses zircões tinha pelo menos 1,97 bilhão de anos.

Jamtveit e seus colegas sugerem que rochas contendo os zircões viajantes se originaram em fragmentos ancestrais de crosta continental localizada abaixo de Maurício. Eles propõem que erupções vulcânicas geologicamente recentes levaram fragmentos da crosta para a superfície da Terra, onde os zircões foram erodidos de suas rochas–mães para polvilhar as areias da ilha. O trabalho da equipe foi publicado em 24 de fevereiro na Nature Geoscience.

O artigo também sugere que não apenas um, mas muitos fragmentos de crosta continental jazem abaixo do fundo do Oceano Índico. Análises do campo gravitacional da Terra revelam diversas áreas extensas em que a crosta do fundo do mar é muito mais espessa que o normal – com pelo menos 25 ou 30 quilômetros de espessura, ao contrário dos cinco a 10, mais comum.

De acordo com a equipe, essas anomalias na crosta podem ser remanescentes de uma massa de terra, que batizou de Maurícia, separada de Madagascar quando a deriva tectônica e a difusão do fundo do mar impulsionaram o subcontinente indiano para nordeste há milhões de anos. Alongamentos e desbastes subsequentes da crosta da região afundaram os fragmentos de Maurícia, que juntos formavam uma ilha ou arquipélago com aproximadamente três vezes o tamanho de Creta, estimam os pesquisadores.

A equipe decidiu coletar areia, em vez de pulverizar rochas locais, para garantir que zircões inadvertidamente presos em equipamentos para moer rochas de estudos anteriores não contaminassem suas amostras fresquinhas. O afloramento de crosta continental que poderia ter produzido os zircões de Maurícia mais próximo conhecido está em Madagascar, do outro lado de um mar profundo, aponta Jamtveit. Além disso, os zircões vieram de locais tão remotos de Maurícia que é improvável que humanos os tenham carregado até lá.

“Não existe fonte local óbvia para esses zircões”, observa Conall Mac Niocaill, geólogo da University of Oxford, no Reino Unido, não envolvido na pesquisa.

E também, não parece que os zircões tenham chegado a Mauritius carregados pelo vento, declara Robert Duncan, geólogo marinho da Oregon State University em Corvallis. “Existe uma possibilidade remota de que tenham sido soprados pelo vento, mas eles provavelmente são grandes demais para isso”, adiciona ele.

Outras bacias oceânicas espalhadas pelo mundo podem muito bem abrigar remanescentes de “continentes fantasmas” semelhantes submersos, observa Mac Niocaill em um artigo de Notícias e Opiniões que acompanha o trabalho. Apenas pesquisas detalhadas do fundo do oceano, incluindo análises geoquímicas de suas rochas, revelarão se a fragmentada e submersa Maurícia tem algum primo perdido, acrescenta.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 24 de fevereiro de 2013.

Sid Perkins e revista Nature

LIMPAR PLÁSTICO DOS OCEANOS EM 5 ANOS


O estudante holandês de engenharia Boyan Slat desenvolvou uma máquina que pode ser capaz de remover mais de os mais 7 milhões de toneladas de plásticos dos oceanos.

A estrutura desenvolvida por Boyan, chamada de Ocean Cleanup Array, funcionaria como um gigantesco filtro, posicionado estrategicamente nos pontos de maior acúmulo de lixo, tem ângulos que fariam os plásticos boiarem diretamente pra dentro dela. Ali, o lixo seria separado dos plânctons e guardado para reciclagem.

De acordo com o site do jovem, levaria cinco anos para que o Ocean Cleanup Array limpasse os oceanos do lixo plástico, o que salvaria a vida de milhares de animais marinhos anualmente e diminuiria os níveis de poluição que acabam chegando ao nosso prato, no topo da cadeia. Ele acredita que o trabalho também pode aumentar a conscientização sobre o problema do lixo plástico nos oceanos e sobre a necessidade de reduzirmos o uso de embalagens plásticas.

O jovem promissor ganhou seu primeiro prêmio aos 14 anos, o de ‘Melhor Ideia do Sul da Holanda’, e entrou para o livro dos recordes na ocasião.

Revista Galileu

RIO AMAZONAS TEM 11 MILHÕES DE ANOS


Agora o Rio Amazonas também tem idade. De acordo com um estudo feito por meio de perfurações pela Petrobrás, o rio teria 11 milhões de anos, mas em sua forma original a idade é de 2,4 milhões de anos.

Um grupo formado pelo Instituto para Biodiversidade e Dinâmicas do Ecossistema, pela Universidade de Amsterdam, Universidade de Liverpool e a Petrobras usou uma nova forma de registrar e reconstruir a história do Rio Amazonas.

Recentemente foram feitas expedições científicas pelo Programa de Perfuração Oceânica, em que uma coluna sedimentada com aproximadamente 10 Km de espessura foi dificilmente rompida atingindo apenas uma pequena parte. Outra exploração realizada pela Petrobrás, analisou de forma paleontológica e sedimentar amostras de duas perfurações com aproximadamente 45 Km abaixo do mar. Essas expedições permitiram compreender de maneira analítica, a história e geologia do Rio Amazonas.

Antes de o estudo ser publicado, a idade do rio era desconhecida. A pesquisa teve grandes implicações para melhor compreender a paleografia da América do Sul, e também da evolução dos organismos aquáticos da Amazônia e da Costa Atlântica.

Science Daily

EDIFÍCIO SUECO USA CALOR CORPORAL COMO AQUECEDOR


Quer melhor do que calor humano para se aquecer? Pelo menos uma empresa sueca reconheceu que o calor corporal é uma fonte de energia que estava sendo desperdiçada.

Segundo eles, o calor humano é uma tecnologia antiga que não estava sendo utilizada. A única diferença é a empresa agora troca essa energia entre dois edifícios diferentes. Isso mesmo.

A empresa imobiliária Jernhusen, de Estocolmo, encontrou uma maneira de canalizar o calor do corpo dos milhares de viajantes que passam pela Estação Central de Estocolmo para aquecer um outro prédio que fica do outro lado da rua.

Cerca de 250.000 pessoas passam pela Estação Central de Estocolmo (foto) por dia. Eles, por si só, geram um pouco de calor. Mas também fazem uma série de atividades. Compram comidas, bebidas, jornais, livros, etc. Toda essa energia gera uma enorme quantidade de calor. Então por que desperdiçá-la?

Na prática, “trocadores” de calor no sistema de ventilação da Estação Central converter o excesso de calor corporal em água quente. Isso é então bombeado para o sistema de aquecimento no edifício próximo, para mantê-lo aquecido.

Não só o sistema é ecológico, como também reduz os custos de energia do edifício em até 25%. Nos próximos 40 anos, a maioria dos especialistas concorda que o abastecimento de petróleo e gás vai se tornar menos abundante. Haverá uma forte concorrência e preços mais elevados para os recursos que restam. Dada a abundância de calor humano a nível mundial, será que a ideia sueca vai pegar?

Infelizmente, os custos financeiros e os benefícios vão depender muito do clima e dos preços da energia em cada país. Aproveitar o calor do corpo funciona particularmente bem na Suécia por causa de suas baixas temperaturas no inverno e os preços elevados da gasolina.

Também, a empresa sueca possuía tanto a Estação Central quanto o prédio, juntamente com a terra ao meio dos dois. Então, eles estavam no comando de tudo, o que tornou a ideia mais fácil. Mas isso não significa que o sistema não pode ser feito de outra forma. Significa apenas que os proprietários de imóveis têm de colaborar uns com os outros.

A sustentabilidade do sistema também é uma vantagem. É o ingrediente chave para o futuro da humanidade. Se a Estação Central de Estocolmo permanecer cheia, estará bem no caminho para um futuro de baixo carbono e energia segura.

BBC

CIENTISTAS SE PREPARAM PARA MONITORAR OCEANO ATLÂNTICO

Os padrões de circulação das águas do oceano Atlântico Sul podem estar sofrendo transformações que têm potencial para interferir no clima global.

A fim de entender esse fenômeno, um grupo internacional de cientistas instalará uma série de instrumentos de monitoramento ao longo de uma linha que se estende da América do Sul até a África.

Essa tarefa, que integrará o projeto internacional Circulação Meridional do Atlântico Sul (Samoc, na sigla em inglês), terá uma importante participação brasileira: toda a parte ocidental da instrumentação será instalada e operada por uma equipe coordenada pelo professor Edmo Campos, do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Campos, o objetivo do projeto Samoc é monitorar a circulação das águas do Atlântico Sul, já que existem indicações de que seus parâmetros estão sofrendo modificações.

"Esses parâmetros de circulação são, em última instância, um dos mecanismos que controlam o clima do planeta. O objetivo desse grupo internacional é monitorar o Atlântico Sul para entender como ele está se comportando no presente e, eventualmente, como se comportará no futuro com as mudanças que estão sendo identificadas", explicou.

Diversas áreas do oceano Atlântico já estão sendo monitoradas pelo projeto Samoc e por diferentes instituições como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e outras do Brasil, da Argentina, da África do Sul e da Europa.

Segundo o pesquisador, essas iniciativas ainda são bastante tímidas, mas tendem a se tornar, no futuro, um sistema de monitoramento oceânico permanente.

"Até agora o Brasil tinha participado desse conjunto de iniciativas apenas como coadjuvante. Mas, com o projeto que iniciamos agora, poderemos dar uma contribuição significativa à formação do sistema de monitoramento", declarou.

Quando se observam as características físicas da circulação oceânica, segundo Campos, percebe-se que as atividades mais intensas ocorrem próximas aos continentes, principalmente do lado oeste. Por isso é importante distribuir os instrumentos ao longo da linha que vai de um continente até o outro, com maior adensamento em suas extremidades.

"O padrão de circulação do oceano Atlântico funciona como parte fundamental do mecanismo que distribui calor em vários locais do planeta. Se houver alteração nesse padrão, teremos resposta no clima, em escala regional e global. E esse padrão também responde às alterações na atmosfera", explicou.

Segundo Campos, a instrumentação, que inclui sensores de velocidade, pressão, temperatura e salinidade, será fundeada - isto é, presa no fundo do mar - desde a América do Sul até a África do Sul, ao longo de uma linha que passa a 34,5 graus de latitude sul.

A equipe brasileira cuidará de toda a parte oeste da rede de monitoramento. A equipe francesa, em cooperação com a sul-africana, ocupará a parte leste e os norte-americanos da NOAA e da Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês) cuidarão da parte central.

"A FAPESP está financiando alguns instrumentos cuja função é medir o transporte de volume - isto é, a velocidade das águas integrada em uma determinada seção. O objetivo é avaliar quanto fluido está sendo transportado e quanto calor e sal esse transporte de fluido carrega consigo. Queremos saber basicamente quanto calor está sendo transportado através dessa linha, em direção ao norte. Pequenas alterações nesse transporte de calor podem desencadear mudanças radicais no equilíbrio climático", explicou.

Hoje, segundo Campos, sabe-se que o clima global é fortemente influenciado pela quantidade de calor que o Atlântico Sul transporta para o Atlântico Norte. "Por isso temos que medir a velocidade, a temperatura, a salinidade e uma série de parâmetros que nos permitirão entender como está sendo alterada a dinâmica da circulação", afirmou.

O fundeamento dos equipamentos na parte brasileira do projeto será feito até o fim de 2012, segundo Campos, pelo navio oceanográfico Alpha Crucis.

Os instrumentos, segundo ele, ficarão fundeados a profundidades que vão de 200 metros a 6 mil metros.

"Os equipamentos não fazem transmissão em tempo real, por isso o navio precisará ir até eles algumas vezes para recuperar dados utilizando um sonar, além de realizar manutenções. Os equipamentos possuem modems acústicos e os dados são coletados quando o navio passa por cima deles. A cada dois anos, em média, será preciso recolher os instrumentos para trocar as baterias e refazer o fundeio", disse Campos.

Segundo Campos, o projeto Samoc será provavelmente uma das primeiras utilizações do Alpha Crucis em grande escala. Sem o navio, a operação ficaria limitada, pois seria preciso utilizar navios da Marinha, que têm uma série de restrições e tornam a realização da pesquisa muito difícil.

"O Brasil tem uma tradição de pesquisa costeira, por falta de recursos, mas com o navio à disposição vamos finalmente produzir oceanografia do mais alto nível internacional", disse.

Agência Fapesp

MANDIOCA VIRA COPINHOS [BIOPLÁSTICO]

Os produtos de plástico são utilíssimos, a vida sem eles é impossível e os danos que causam ao meio ambiente são imensos. Até aí, nenhuma novidade. Segundo as estatísticas mais recentes, 150 milhões de toneladas desses produtos são fabricadas no mundo por ano e 95% delas vão parar em lixões, sem tratamento algum, ficando sujeitas a um processo de decomposição interminável.

Uma solução pode estar na busca de um produto alternativo semelhante em tudo ao plástico, mas menos poluente. Estudos nessa direção estão avançando, e resultados já são vistos na produção de objetos - embalagens, garrafas, componentes de celulares, autopeças - feitos do chamado bioplástico. Assim como os plásticos convencionais, os bioplásticos são feitos de polímeros, e as propriedades e características dos dois (vida útil, resistência a choques e variação de temperatura) também se assemelham. A diferença está na matéria-prima: enquanto o convencional vem do petróleo, o "ecológico" é obtido da natureza, em grande parte na agricultura: da cana-de-açúcar, do milho, da mandioca, da batata e outros.

A maior vantagem do bioplástico é amenizar o aquecimento global provocado pela emissão de gás carbônico. Cada quilo de plástico feito a partir de petróleo libera cerca de 6 quilos de gás carbônico. Com os plásticos verdes acontece o contrário: cada quilo produzido representa a absorção de 2 a 2,5 quilos de gás carbônico devido à fotossíntese dos produtos agrícolas usados na sua composição. Também demandam bem menos energia na sua produção. Além disso, são 100% recicláveis e 70% deles são biodegradáveis e compostáveis - decompõem-se sozinhos, em 180 dias, em média.

Dois problemas ainda travam a expansão da indústria de bioplásticos. Um deles, a necessidade de mais pesquisas, vem sendo amenizado com o desenvolvimento de projetos no mundo todo. Entre os muitos usos do produto, já estão em fase de teste no mercado uma bola de golfe que se degrada e vira comida de peixe se cair na água, uma goma de mascar que não gruda e, num futuro mais distante, um filme invisível que envolve as frutas, impede que elas estraguem rapidamente e pode ser ingerido. Já o outro problema é mais complicado: ainda é muito caro produzir o plástico verde. A maior parte das empresas que atuam no setor está utilizando a cana-de-açúcar - a Braskem, no Rio Grande do Sul, produz 200 000 toneladas por ano de plástico derivado de polietileno formado a partir do processo de desidratação do etanol. Situada em São Carlos, no estado de São Paulo, a CBPak utiliza matéria-prima mais inusitada: produz atualmente 300 000 bandejas e copos de plástico para embalar alimentos feitos a partir de amido de mandioca e espera faturar 10 milhões de reais neste ano.

"Trata-se de um negócio que ainda está engatinhando e que enfrenta duas barreiras: o preço e a produtividade", diz Claudio Rocha Bastos, fundador da CBPak, que tem planos ambiciosos de ampliar sua produção em dez vezes. Embalagens ecológicas podem custar até o triplo das de origem fóssil e, mesmo tendo atingido, em 2011, a marca de 1 milhão de toneladas, a atual produção mundial não representa nem 1% do mercado de plásticos.

Os produtos de plástico são utilíssimos, a vida sem eles é impossível e os danos que causam ao meio ambiente são imensos. Até aí, nenhuma novidade. Segundo as estatísticas mais recentes, 150 milhões de toneladas desses produtos são fabricadas no mundo por ano e 95% delas vão parar em lixões, sem tratamento algum, ficando sujeitas a um processo de decomposição interminável. Uma solução pode estar na busca de um produto alternativo semelhante em tudo ao plástico, mas menos poluente. Estudos nessa direção estão avançando, e resultados já são vistos na produção de objetos - embalagens, garrafas, componentes de celulares, autopeças - feitos do chamado bioplástico. Assim como os plásticos convencionais, os bioplásticos são feitos de polímeros, e as propriedades e características dos dois (vida útil, resistência a choques e variação de temperatura) também se assemelham. A diferença está na matéria-prima: enquanto o convencional vem do petróleo, o "ecológico" é obtido da natureza, em grande parte na agricultura: da cana-de-açúcar, do milho, da mandioca, da batata e outros.

A maior vantagem do bioplástico é amenizar o aquecimento global provocado pela emissão de gás carbônico. Cada quilo de plástico feito a partir de petróleo libera cerca de 6 quilos de gás carbônico. Com os plásticos verdes acontece o contrário: cada quilo produzido representa a absorção de 2 a 2,5 quilos de gás carbônico devido à fotossíntese dos produtos agrícolas usados na sua composição. Também demandam bem menos energia na sua produção. Além disso, são 100% recicláveis e 70% deles são biodegradáveis e compostáveis - decompõem-se sozinhos, em 180 dias, em média.

Dois problemas ainda travam a expansão da indústria de bioplásticos. Um deles, a necessidade de mais pesquisas, vem sendo amenizado com o desenvolvimento de projetos no mundo todo. Entre os muitos usos do produto, já estão em fase de teste no mercado uma bola de golfe que se degrada e vira comida de peixe se cair na água, uma goma de mascar que não gruda e, num futuro mais distante, um filme invisível que envolve as frutas, impede que elas estraguem rapidamente e pode ser ingerido. Já o outro problema é mais complicado: ainda é muito caro produzir o plástico verde. A maior parte das empresas que atuam no setor está utilizando a cana-de-açúcar - a Braskem, no Rio Grande do Sul, produz 200 000 toneladas por ano de plástico derivado de polietileno formado a partir do processo de desidratação do etanol. Situada em São Carlos, no estado de São Paulo, a CBPak utiliza matéria-prima mais inusitada: produz atualmente 300 000 bandejas e copos de plástico para embalar alimentos feitos a partir de amido de mandioca e espera faturar 10 milhões de reais neste ano.

"Trata-se de um negócio que ainda está engatinhando e que enfrenta duas barreiras: o preço e a produtividade", diz Claudio Rocha Bastos, fundador da CBPak, que tem planos ambiciosos de ampliar sua produção em dez vezes. Embalagens ecológicas podem custar até o triplo das de origem fóssil e, mesmo tendo atingido, em 2011, a marca de 1 milhão de toneladas, a atual produção mundial não representa nem 1% do mercado de plásticos.

Marina Yamaoka
Veja Edição Especial Sustentabilidade 2011

VALE DO SILÍCIO FLUTUANTE QUER FAZER TECNOLOGIA SUPRANACIONAL

Fora das fronteiras
A região conhecida como Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, é tida como o centro da inovação e radicalismo tecnológico no mundo. Ali se concentram empresas estabelecidas e também os iniciantes do setor.

Talento e inovação também parecem estar na ordem do dia na busca de soluções para empecilhos legais que impedem jovens empresários, com ambição e boas ideias, de alcançar seus objetivos.

Frustrados com a quantidade limitada de vistos que o governo dos Estados Unidos concede a cientistas e técnicos estrangeiros, uma dupla de empresários acredita ter encontrado uma alternativa para o problema: transferir os laboratórios e oficinas de empresas de tecnologia para o alto mar.

Dessa ideia nasceu a Blueseed, um barco colônia no meio do Oceano Pacífico, em frente à Califórnia, onde não vigoram restrições legais vigentes no território norte-americano.

"Muitas pessoas dizem que querem vir ao Vale do Silício para trabalhar, têm boas ideias e até dinheiro para investir, mas não conseguem porque não têm permissões de trabalho", disse Max Marty, um dos idealizadores do projeto.

Uma estrutura flutuante, a cerca de 25 km da costa, em águas internacionais, poderia então servir de escala no caminho, um espaço que abrigaria empresas novatas que precisam contratar especialistas, quaisquer que sejam seus países de origem.

"Como estão a meia hora de barco do Vale do Silício, o que é fundamental para reuniões e contatos, os ocupantes do barco poderiam ir e vir com vistos de visitantes, de negócios ou outro tipo", explicou. "A ideia é que se beneficiem da vida em comunidade, o que fomentaria a criatividade e o intercâmbio de informação".

Marty disse esperar que o barco esteja em operação no segundo trimestre de 2014.

Vistos H-1B
Marty - de origem cubana, exilado no início da década de 1960 - teve a ideia quando fazia mestrado em administração de empresas na Universidade de Miami.

Ele disse que viu vários de seus colegas de classe estrangeiros deixando os Estados Unidos, contra sua vontade, após se formarem.

"Muitos gostariam de criar uma companhia aqui, mas não podiam. Se é difícil conseguir (o visto) H-1B para você mesmo, imagina a dificuldade para se trazer outros que você queira contratar", explicou o empresário.

As empresas de tecnologia passaram anos fazendo pressão sobre Washington para conseguir a suspensão do limite de 65 mil vistos anuais H-1B para trabalho temporário especializado.

Cada ano, os vistos que o governo federal distribui se esgotam em questão de semanas - em 2012, eles se esgotaram dez dias após a abertura das inscrições, segundo o Instituto Brookings.

"Faz falta encontrar modelos para criar de maneira mais livre", disse o empresário.

Marty e seu sócio Darío Mutabdzija basearam sua Blueseed em uma ideia do TSI (sigla em inglês do Insituto Seasteading), organização que promove o desenvolvimento de cidades inteiras no oceano.
Filosofia libertária
Os pesquisadores do instituto se inspiram na filosofia libertária e dizem acreditar que os territórios do futuro ficarão em águas internacionais e serão autossustentáveis e autogovernados.

Essa ideia já provocou debates em publicações como Time e Economist. Por trás dela está Patri Friedman, ex-engenheiro do Google e neto do economista Milton Friedman.

Também estão envolvidos na criação do conceito o especialista em engenharia naval George Petrie e o criador da empresa de pagamentos pela internet Peter Thiel - que tem grande interesse e investe em colônias flutuantes.

A Blueseed deverá ser, portanto, a primeira materialização das ideias do TSI.

Seus idealizadores afirmaram que a localização da colônia - a 20 quilômetros a sudoeste da baía de São Francisco - será uma vantagem estratégica para manter a instalação conectada com o Vale do Silício.

Eles esperam abrigar cerca de mil trabalhadores de 360 empresas e 65 países distintos.

"Muito cedo decidimos contatar nossos clientes em potencial e incorporá-los no processo de desenvolvimento. Logo filtramos as empresas que não nos interessavam, devido a seu modelo de negócios ou porque não funcionariam a bordo", disse Marty.

Para resolver as questões técnicas, o grupo usará as experiências de outros projetos flutuantes, como plataformas de petróleo, porta-aviões ou cruzeiros transoceânicos - nos quais uma comunidade têm que conviver em um ambiente isolado por períodos longos.

Os idealizadores do projeto ainda precisam arrecadar entre US$ 10 e US$ 30 milhões em investimentos até seu lançamento. Eles disseram que ter o apoio do fundador da PayPal é um passo-chave para isso.
Comunidade flutuante
Mas o plano de viver em alto mar custará caro para os empreendimentos tecnológicos que se tornarem inquilinos do complexo - cerca de US$ 2.000 por mês por pessoa.

"A vida no oceano é cara se comparada à vida em terra. É preciso levar comida e há questões de segurança, energia e comunicação", afirmou Marty.

Contudo, o maior desafio pode ser um eventual confronto com autoridades norte-americanas. O Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça não comentou o projeto.

Isso porque o projeto é uma espécie de atalho para evitar leis federais dos EUA - na medida em que deixaria uma comunidade de estrangeiros vivendo próximo da costa californiana com a clara intenção de trabalhar, ainda que indiretamente, na indústria tecnológica.

Há ainda a possibilidade de que a reforma migratória norte-americana - um tema urgente na política do país - forneça uma solução antecipada, aumentando a disponibilidade de vistos para estrangeiros especializados.

O presidente Barack Obama declarou em fevereiro que uma "reforma real" deveria considerar "os trabalhadores altamente qualificados e engenheiros que ajudarão a fazer crescer a economia".

Os idealizadores do projeto dizem não acreditar que uma reforma acabe com o complexo antes mesmo de sua construção. "Não temos muitas esperanças de que isso (o aumento de vistos) ocorra no nível que falta. Mas se ocorrer, muitas empresas se sentem motivadas pelo conceito de compartilhar e trocar ideias em uma comunidade flutuante".

BBC

CARRINHO ELÉTRICO SUBSTITUI CARROÇAS

Acabar com os maus-tratos a cavalos. Melhorar a qualidade de vida de catadores de lixo. Diminuir a interferência da coleta no trânsito da cidade.

Um carrinho elétrico de engenharia simples, manutenção econômica e ideia sustentável é a proposta que vem sendo testada há quatro meses em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, e que pretende amenizar três problemas com uma única solução.

Chamado de Cavalo de Lata, o projeto nasceu da indignação de uma publicitária com os maus tratos sofridos pelos animais ao puxarem carroças pesadas por longos trajetos. O invento está sendo executada por um engenheiro de produção que pesquisou em diversas cidades do mundo alternativas semelhantes e chegou à ideia do carrinho elétrico.

— Cansei de ver e ouvir histórias de animais doentes e desnutridos carregando carroças pesadas e de alguns que têm até olhos furados para não se assustarem na rua, aí pedi que o meu namorado e engenheiro criasse uma solução — explica a publicitária Ana Paula Knak, 36 anos.

A partir dessa provocação, Jason Duani Vargas, 33 anos, começou a rabiscar o projeto que ainda está sendo aperfeiçoado e em processo de patenteamento.

— Visitei lugares como a China onde tudo é elétrico e vi modelos de carrinho de catadores na Alemanha, mas eram pequenos. Aí surgiu projeto com esse conceito sustentável, fiz voltado para melhorar a vida dos catadores — explica Vargas.

No entanto, com ajuda das redes sociais, a ideia já chegou a lugares distantes e o idealizador recebe quase que diariamente pedidos para conhecer o Cavalo de Lata. Segundo o idealizador do carrinho, um clube de golfe, uma funerária, uma empresa fumageira, entre outros empreendimentos, já entraram em contato pedindo se era possível fazer a adaptação do carrinho.

Entretanto, o protótipo que deve estar finalizado em cerca de um mês é direcionado à coleta de lixo seletivo. Os 50 trabalhadores vinculados à Cooperativa dos Catadores e Recicladores de Santa Cruz do Sul (Coomcat) vêm testando regularmente o protótipo em um local fechado e fazem sugestões de mudanças, que são discutidas com o engenheiro e colocadas em prática na metalúrgica onde o carrinho fica guardado.

Segundo o presidente da Coomcat, que também é catador, Fagner Jandrey, a ideia já foi aprovada por eles e inclusive há verbas garantidas por meio de programas federais para custear a confecção de cerca de 20 carrinhos. O número exato vai depender do valor que vai custar cada carrinho, que ainda não está definido, mas deve ficar em torno de R$ 12 mil.

— No entanto, a coleta seletiva está em processo de ampliação e vamos dobrar o número de catadores, por isso, vamos precisar de mais apoio público para conseguir um carrinho por catador — acrescenta Jandrey.

No município, não há um levantamento do número de carroças puxadas por cavalos e nem de quantos carrinhos de tração humana existem, já que a cooperativa não atende a todos os catadores. Assim que estiver pronto, o Cavalo de Lata deve ser encaminhado para aprovação do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e, depois de homologado, deverá ser vistoriado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) gaúcho.

Como não existe legislação para carrinhos elétricos no país, Vargas não sabe o que o órgão vai definir, se será exigido emplacamento e carteira de habilitação ou adequações no projeto.

Como exemplo, cita o Rio de Janeiro, onde o prefeito assinou decreto liberando bicicletas elétricas, que, na prática, são semelhantes aos carrinhos que ele desenvolveu. Lá a única condição é que os equipamentos não ultrapassem o limite de velocidade de 20 quilômetros por hora.

— Projetei o carrinho pensando nesse limite, até porque diminui o risco e a gravidade de possíveis acidentes, mas também é um projeto bem flexível e vou ajustar tudo o que pedir pra conseguir colocá-lo nas ruas a serviço dos catadores — explica o idealizador do Cavalo de Lata.

Projeto de conscientização e cuidado dos cavalos
Além de dar nome ao carrinho elétrico que pode substituir carroças puxadas por cavalos e carrinhos guiados com força humana, Cavalo de Lata é o nome de uma campanha de conscientização sobre os maus tratos a cavalos e também do projeto, ainda em fase de concepção, que pretende recolher os animais que forem inutilizados após a aquisição dos carrinhos elétricos, cuidá-los e, depois, doá-los para um projeto de equoterapia.

Para conseguir colocar essas ações em prática, a coordenadora do projeto, Ana Paula Knak, já idealizou camisetas e souvenirs personalizados do Cavalo de Lata que já estão à venda. Parte da verba também deve ser revertida para ONGs que cuidam de animais.

Interessados podem entrar em contato pelo telefone (51) 9993-1805 ou acessar www.facebook.com/CavaloLata

Fim das carroças em trote lento na Capital
Na Capital, o fim dos veículos de tração animal e humana é lei desde 2008 e previa prazo de oito anos para a extinção das carroças e carrinhos, mas que foi antecipado para junho de 2015. No entanto, o início da redução gradativa desses veículos, prevista inicialmente para vigorar a partir de março, foi transferida para setembro. Assim, a partir de outubro, passa a ser proibido circular usando carroças e carrinhos na Zona Sul.

Após, gradativamente, outras regiões vão ser incluídas. A fim de oferecer condições para que os catadores se adéqüem a essa lei ou então aprendam outras fontes de trabalho, a prefeitura criou o projeto Todos Somos Porto Alegre — Programa de Inclusão Produtiva na Reciclagem.

Segundo a coordenadora com Denise Souza Costa, as ações do programa já estão acontecendo desde 2010 e ressalta que uma parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) garantirá R$ 18 milhões para o projeto.

A estimativa é de que 1,8 mil famílias sejam beneficiadas, sendo 1,2 mil famílias de carroceiros, carrinheiros e catadores, mais 600 famílias vinculadas a unidades de triagem, em um total de 5,4 mil pessoas.

vanessa.kannenberg@zerohora.com.br
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FLORESTAS GERAM US$ 468 BILHÕES POR ANO PARA ECONOMIA GLOBAL

Quase um terço do mundo é coberto por florestas, que, além de trazer benefícios sociais e culturais, gera ganhos econômicos para o planeta. Os produtos florestais movimentam, de forma sustentável, cerca de US$ 468 bilhões, anualmente, para a economia global.

O dado é da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e foi divulgado por Mario Ruales Carranza, presidente do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF), durante a abertura da décima edição do evento, que acontece em Istambul.

Carranza lembrou também que as florestas garantem, atualmente, empregos formais para cerca de 60 milhões de pessoas, aumentando sua capacidade de subsistência e sua resistência a eventos climáticos.

A intenção de Carranza é chamar a atenção para o valor das florestas para a economia, fato que, segundo ele, não é tão reconhecido como as funções sociais, culturais e ambientais desse tipo de ecossistema.

“O que é menos reconhecido, mas igualmente importante, é que as exportações do setor madeireiro foram avaliadas em US$ 246 bilhões em 2011. Este é apenas um vislumbre do verdadeiro valor das florestas em termos das grandes contribuições financeiras desses ecossistemas para as economias locais, nacionais e globais”, disse o presidente do UNFF.

A décima edição do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, que começou nesta segunda-feira (8), acontece até 19/04.

Planeta Sustentável

FORMIGA VERMELHA PODE AJUDAR PREVER TERREMOTOS


Um tipo de formiga vermelha europeia é capaz de “pressentir” terremotos – o que pode ajudar a determinar quando esses fenômenos sismológicos vão ocorrer – segundo estudo realizado por pesquisadores alemães.

“As formigas vermelhas têm uma rotina parecida com a dos humanos, pois durante o dia estão ativas e à noite descansam”, disse uma das responsáveis pelo estudo, Gabriele Berberich, da Universidade de Duisburg-Essen, em entrevista coletiva em Viena durante a Assembleia da União Europeia de Geociências.

“Antes de um terremoto, a ‘formiga vermelha da madeira’ (Formica polyctena), que costuma viver em florestas, muda hábitos e interrompe sua fase de descanso noturno e mantém o comportamento atípico até que o terremoto passe”, acrescentou.

Esses insetos constroem seus formigueiros em sistemas de falhas tectônicas ativas, que são, por isso, zonas propensas a terremotos. Durante o experimento – desenvolvido entre 2009 e 2012 – mais de 45 mil horas de vídeo foram gravadas para que se pudesse estudar os hábitos dessas formigas.

“Observamos que a colônia inteira, exceto a rainha, fica na parte superior do ninho, o que é bastante incomum. Normalmente, elas ficam em áreas mais profundas para evitar predadores”, explicou Gabriele.

A pesquisa – feita em uma área sismologicamente ativa da Alemanha – classificou as formigas e analisou suas reações aos movimentos tectônicos, o que revelou os comportamentos incomuns antes e durante tremores superiores a uma magnitude de dois graus na escala Richter.

“Em tremores de magnitude menor que dois graus, não pudemos detectar mudanças de comportamento significantes”, afirmou a pesquisadora. Além disso, outros parâmetros – como mudanças no clima do formigueiro antes de um terremoto – foram avaliados para determinar se influenciavam nos hábitos desses insetos, ressaltou Gabriele.

“A pressão muda a estrutura dos gases, e as formigas são capazes de detectar essa alteração porque são muito sensíveis a estas reações, assim como a variações eletromagnéticas”, explicou. “Monitorar essas formigas foi um grande passo para entender os processos geotectônicos e diagnosticar alguns precursores (de movimentos sísmicos)”, disse Gabriele.

“Iniciaremos grandes projetos interdisciplinares para determinar com mais detalhes que é o que faz com que as formigas mudem seus hábitos dessa maneira”, garantiu.

Terra/Boletim Ambiente Brasil

sábado, 13 de abril de 2013

ÁGUA VIRTUAL DO NOSSO DIA A DIA


Qual o custo ambiental do seu consumo? Ele pode ser mensurado? A cada dia fica mais evidenciada a reflexão sobre a nossa sobrevivência neste Planeta.

Este tema passou a ser estudado e contabilizado no contexto econômico brasileiro - mensurávamos o consumo, mas não atribuíamos um valor a este custo. Fica no ar uma pergunta, como introduzir a conservação e a eficiência na produção?

Dentro deste contexto, o consumo de água passa a ser uma das grandes preocupações ambientais sendo o Brasil o sétimo maior exportador de água virtual com 186 milhões de m³/dia.
As empresas hoje, criaram mecanismos para rastrear o uso de água desde a matéria-prima, passando pela comercialização e a utilização no consumidor final, em todos os seus produtos. Uma pergunta fica no ar, mas o que significa esse termo Água Virtual?

Água virtual do nosso dia-a-dia!
Bióloga e Gestora Ambiental Educadora Érica Sena
http://pensareco.blogspot.com/2010/10/agua-virtual-do-nosso-dia-dia.html

Água Virtual é um conceito novo criado por John Anthony Allan, que significa a quantidade de água usada na fabricação de um produto, ou de um alimento. Consome água virtual na produção de:

1 par de sapatos de couro  8.000 litros
1 hambúrguer   2.400 litros
1 camiseta        4.000 litros
1 Kg de açúcar 1.500 litros
1 par de calças jeans algodão azul  10.000 litros

O comércio global movimenta um volume anual de água virtual da ordem de 1000 a 1340 km³, sendo: 67 % relacionados com o comércio de produtos agrícolas; 23 % relacionados com o comércio produtos animais; 10 % relacionados com produtos industriais, segundo a UNESCO.

Diante desses dados assustadores sobre o nosso consumo indireto de água diariamente, pesquisas, principalmente na área agrícola, são feitas visando à mudança de tecnologia que reduzam o gasto de água durante o processo até a chegada ao consumidor. Mas cabe a cada habitante, e não somente às indústrias, a encontrar soluções, como por exemplo, mudança na alimentação. A pessoa que se alimenta de carne consome cerca de 4000 litros / dia de água virtual, já um vegetariano consome em torno de 1500 lt/dia.

Sei que não é possível a mudança de atitudes de uma hora para outra, mas através dessas informações ficamos cientes que uma hora ou outra elas serão necessárias, já que esse consumo exagerado de recursos naturais, caso continue, levará a um colapso, inviabilizando a vida no planeta.

Para o calculo do consumo de água virtual utiliza-se o WATERFOOTPRINT.

A China importou cerca de 18 milhões de toneladas de soja no ano, isso significou um ingresso de 45 milhões de metros cúbicos de água virtual. Seguindo o mesmo raciocínio, no ano de 2003, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas de carne bovina contabilizando também exportação de 19,5 km³ - 19,5 bilhões de m³ de água virtual.

Produto Valores médios globais da Água virtual  em (lt/kg de alimento produzido )

Arroz 1.400 a 3.600
Aveia 2.374
Aves/Galinha 2.800 a 4.500
Azeite de Oliva  11.350
Azeitona  2.500
Banana  499
Batata 105 a160
Beterraba 193
Cana-de-açúcar  318
Laranja,outros citros  378
Carne de Boi  13.500 a 20.700
Carne de porco  4.600 a   5.900
Leite  560 a 865
Manteiga  18.000
Milho  450 a 1.600
Óleo de soja  5.405
Ovos  2.700 a 4.700
Queijo  5.280
Soja  2.300 a 2.750
Tomate 105
Trigo  1.150 a 2.000
Uva  455

National Geographic Magazine

ÁGUA VIRTUAL AUMENTA ALERTA SOBRE ESCASSEZ

Pesquisadores desenvolveram uma forma de calcular toda a água consumida pelo ser humano. Isso inclui o uso para hidratação e higiene, além do que é utilizado na produção de bens de consumo, o que geralmente não é notado.

Você já pensou na quantidade de água que consome? De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cada pessoa gasta em média 39,6 m³ de água por ano (cerca de 110 litros por dia), de forma direta. Esse é o volume considerado para atender às necessidades de ingestão, higiene pessoal, preparação de alimentos e limpeza em geral. Mas o que não se leva em consideração é a água utilizada no processo de produção de tudo que se consome, como alimentos, roupas, livros, carros. Esse consumo indireto é denominado “água virtual” e tem chamado a atenção de especialistas, ao demonstrar que a demanda desse recurso é muito maior do que se imagina, e a velocidade com que a disponibilidade tem diminuído, também.

Essa teoria foi introduzida pelo britânico Tony Allan em 1993. Trata-se de uma definição simples, segundo a qual o volume de água utilizado na produção de qualquer bem ou produto, seja de origem animal, vegetal ou mineral, é considerado água virtual. No setor produtivo, a água é dividida em verde (chuva), azul (na superfície e debaixo da terra) e cinza (poluída).

Para se ter uma ideia, produzir 1kg de carne bovina demanda 15 mil litros de água. Para 1kg de arroz são necessários 2,5 mil litros, e para uma calça jeans, mais 10 mil. Esses são apenas exemplos de como a quantidade de água de fato usada pelo ser humano é bem maior do que os 110 litros diários estimados pela ONU. Sem mencionar que, se cada pessoa do planeta adotasse o padrão de consumo dos países desenvolvidos, precisaríamos de muito mais água. Só a produção de alimentos demandaria 75% a mais do recurso natural, de acordo com o relatório do Conselho Mundial da Água.

Pegada hídrica – Os pesquisadores Arjen Hoekstra e Mesfin Mekonnen, da Universidade de Twente, na Holanda, fizeram um estudo para mapear a “pegada hídrica” de cada indivíduo, empresa, comunidade ou nação. O cálculo do consumo e da poluição diretos ou indiretos da água doce tem o objetivo de auxiliar governos a estabelecer políticas e metas para produção, a fim de racionar o uso global da água.

Segundo os cálculos, a média global por pessoa sobe para 1.385 m³/ano de água (cerca de 3.794 litros por dia). Mas este número depende do país e seu padrão de consumo. Em países desenvolvidos, o consumo varia de 1.258 a 2.842 m³/ano, sendo as extremidades representadas por Reino Unido e Estados Unidos, respectivamente. Já em países em desenvolvimento, a diferença é bem maior: a pegada hídrica da República Democrática do Congo é de 552 m³/ano, já a da Mongólia, de 3.775 m³/ano. No Brasil, a pegada per capita é de 2.027 m³/ano.

Essa nova forma de medir o consumo de água está sendo discutida pelos governos e é considerada como instrumento estratégico na definição de políticas para o uso da água. Isso poderá ter um grande impacto em países como o Brasil, devido à sua grande produção agrícola, setor que, segundo dados da Unesco, consome 92% da água virtual utilizada no planeta.

O comércio virtual de água – A comercialização de recursos hídricos indiretos também deve ser levada em consideração pelos governos e autoridades internacionais. Isso porque quando um país compra algo do exterior, ele também está importando, virtualmente, a água usada no processo de produção. Isso lhe dá a vantagem de poupar seus recursos naturais, em detrimento dos alheios.

Uma nação pode usar como estratégia, seja por economia ou por escassez, comprar produtos que demandam maior quantidade de água no processo. Mas no mundo globalizado, todos os países são importadores de água, e a maioria também é exportadora, mesmo as nações que têm pouca disponibilidade desse recurso, a exemplo do Oriente Médio, que exporta alimentos.

A expectativa é que haja uma reorganização no comércio internacional da água virtual, levando em consideração sua escassez, o que tornaria possível o uso racional do líquido em escala mundial. Países com bastantes reservas deveriam produzir aquilo que necessita de muita água e então exportar, equilibrando assim o consumo no planeta.

De acordo com a publicação de Hoekstra e Mekonnen, 76% do comércio de água virtual está relacionado à produção de vegetais e seus derivados. Produtos de origem animal e industrializados representam 12% cada.

O artigo também relata que os maiores exportadores no segmento são os Estados Unidos, China, Índia e Brasil, respectivamente. A lista de maiores importadores traz novamente os EUA em primeiro lugar, seguido de Japão, Alemanha, China e Itália.

Fonte Terra